Empoderamento de Crianças Negras

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Hoje não são poucos na internet os vídeos de crianças negras que passaram a enxergar beleza em seus cabelos crespos ou cacheados e aceitá-los da forma como são, sem nenhum interesse em submeterem-se a tratamentos capilares irreparáveis que só reforçam estereótipos preconceituosos e racistas, além de determinarem o que seria considerado “padrão de beleza”. Tal movimento recente é denominado como “Empoderamento de Crianças Negras” onde busca-se trabalhar inicialmente a auto aceitação e autoestima dos pequenos em forma de brincadeiras e diálogos, com conscientização sobre a cultura afro e suas raízes.

Movimentos sociais como esse são de extrema importância para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, no entanto, não nos deve passar despercebido que sua aplicação e necessidade nos dias atuais, é reflexo de uma sociedade em que a democracia racial ainda é um mito, onde atividades como essas, embora de cunho didático, ainda precisam ser realizadas com crianças negras, numa tentativa de impedir que tais indivíduos levem traumas de infância para suas vidas adultas.

De acordo com a diretora-presidente do Instituto AMMA Psique e Negritude, Maria Lúcia da Silva, entre 8 meses e 3 anos de idade, o ser humano começa a notar as diferenças físicas entre ele e os outros. Segundo a diretora: “… nesse período, é fundamental que ele se sinta aceito, acolhido e valorizado nessas diferenças”; Logo, “esse poderá ser o início do conflito que o bebê ou a criança irá travar com seu corpo com base nas representações negativas que a sociedade tem e que se manifestam através de toques, olhares, chacotas, apelidos e imagens depreciativas”.

De antemão, a presente publicação não tem como objetivo inicial “revelar” que a sociedade brasileira seria preconceituosa e racista, pois isso facilmente pode ser constatado através de uma simples busca na internet, mas ressaltar que o movimento de empoderamento negro infantil no sentido de coletividade, relaciona-se diretamente ao  respeito às garantias constitucionais, numa perspectiva antirracista, antielitista, refletindo assim uma mudança das  instituições socias pré-estabelecidas. O fato de crianças negras, hoje sentirem-se representadas ao verem heróis negros em filmes de grandes bilheterias, cosméticos especialmente destinados às suas particularidades, além de assistirem seus semelhantes nos mais diversos meios de comunicação atualmente, a saber, canais no youtube, perfis no instagram e seriados infantis. Os tornam, potenciais defensores dos caros direitos adquiridos pelo seu povo ao longo das décadas e em especial após a Constituição Federal de 1988, assim como disseminadores de uma cultura que só agrega na vida dos ouvintes.

Por Júlia Teixeira

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