
BREVE HISTÓRICO DA CANÇÃO
Primeiramente é interessante discorrermos, mesmo que brevemente, de alguns aspecto históricos. No que diz respeito a banda, trata-se da Legião Urbana, uma da mais bem conceituadas banda de rock que o Brasil já teve, atuando entre os anos de 1982 e 1996. Já a música Pais e Filhos, que retrata principalmente o relacionamento entre pais e filho, foi um dos maiores sucessos que a banda teve. A letra da música foi inspirada e dedicada a uma amiga do vocalista Renato Russo, que havia se jogado do 5º andar de um prédio na cidade de Brasília sob conflito que sucedeu uma briga com os pais. Vale destacar ainda que duas partes da música ainda tiveram outras fontes inspirativas, a primeira refere-se ao “nome de santo” que teria origem no filho do cantor Renato, o Giuliano. A segunda refere-se às partes que dizem “sou a gota d’água… e É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã…” que foram retiradas de um livro chinês a que os autores da música tiveram acesso. Dito isto, faremos uma análise da música buscando perceber a questão da criança e do adolescente no contexto familiar, considerando alguns aspetos no que tange aos Direito humanos.
CONTEXTO ESPECÍFICO
Música: Pais e Filhos
Composição: Dado Villa Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá
Intérprete: Legião Urbana
Ano de divulgação: 1989
Álbum: As quatro estações
Meio de divulgação: Youtube
Apresentação: Vocal
Gênero/Estilo: Música Popular Brasileira
Qual a temática da canção: Relacionamento entre “Pais e Filhos”
CONTEXTO GERAL
Performance – Mediante o vídeo de análise do trabalho a performance é vocal.
Contexto – Uma menina se joga do 5° andar após brigar com seus pais, ou seja, é perceptível vê na letra da canção o conflito entre a menina e seus pais. Onde a jovem mora com sua mãe e seu pai vai apenas
ANALISE DA LETRA DA CANÇÃO
Buscaremos analisar a canção Pais e Filhos, não em seu aspecto melódico, mas no que diz respeito à letra da canção. Para isso, consideraremos alguns aspectos, no contexto familiar, que é dotado do indivíduo nas diversas faixas etárias, a saber, crianças, adolescentes e adultos. Adentraremos ainda em questões ligadas aos papéis a serem desempenhados no âmbito familiar. Traremos um olhar analítico que se fundamenta em preceitos ligados aos direitos humanos.
Sendo assim, por uma questão didática e hermenêutica, resolvemos decompor a totalidade da poesia em partes, de forma que melhor seja esclarecido acerca da nossa percepção de cada trecho. Estão presentes emoções, sentimentos, desejos em um contexto multicultural em que estão representadas individualidades e identidades.
Tomemos o trecho:
Estátuas e cofres
E paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada fácil de entender
As estátuas parecem fazer referência a seres inanimados que não percebem o que está acontecendo ao redor. Talvez pessoas que são vistas aparentemente, semelhante ao olhar para uma parede em que não se detecta mensagem alguma, além da aparência da tinta que esconde o seu interior. E os cofres apontam para tesouros escondidos, mas trancados, e assim como as pessoas, apenas se abrindo podem dar acesso aos seus tesouros.
“Ninguém sabe o que aconteceu, ela se jogou do quinto andar”. Este trecho revela a deficiência no diálogo, pois a real motivação do suicídio não foi dividida com ninguém. E agora, nada fácil de entender. Teria faltado um olhar humano? Empatia? Afeto? Que direito foi negado que bloqueou a abertura dialógica? Muitas perguntas e poucas repostas, contudo, oportunidade de olhar o outro tentando perceber os contextos a partir do olhar dele, sendo sensível, a ponto de alcançá-lo onde ele se encontra estabelecendo uma relação de confiança despida de julgamentos baseados em estereótipos.
É necessário que o simples direito de ser respeitado seja observado, e respeitar tem ligação com olhar uma segunda vez, perceber a pessoa e o acontecimento por um prisma diferenciado. Ora, será que erramos para com esta adolescente (representada na música), sendo insensíveis aos seus conflitos e necessidades mesmo estando fisicamente tão próximos? Que a reflexão sobre letra da melodia impeça novos erros. Passemos para mais uma parte da letra musical:
Dorme agora
É só o vento lá fora
Quero colo
Vou fugir de casa
Posso dormir aqui
Com vocês?
Estou com medo tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três
Este trocadilho aponta para duas questões. A primeira, é a da criança que precisa dormir, mas se mostra com medo recorrendo ao aconchego dos pais no quarto deles. Isto se evidencia quando diz: “Dorme agora, é só o vento lá fora, quero colo, Posso dormir aqui com vocês? Estou com medo tive um pesadelo”. Devido ao fato de ser criança, alguma sensibilidade dos pais parece permitir o aconchegar-se do filho.
A segunda questão é a que faz referência à outra fase, a adolescência, onde os grupos de afinidades ocupam espaços, sobretudo, as lacunas deixadas pelas falhas relacionais familiares. Ao dizer “Vou fugir de casa, Só vou voltar depois das três” fica evidenciado o conflito próprio da fase que precisa de especial atenção. É necessário um olhar movido por um laço afetivo dotado de sabedoria para que o adolescente se sinta parte da família, e esteja integrado a ela, evitando, assim, a vontade de fugir ou de deixar de existir. Na sequência temos a estrofe:
Meu filho vai ter
Nome de santo
Quero o nome mais bonito
Como algo natural em um ciclo, os papéis se invertem, de forma que os filhos passam a ser pais dos próprios filhos numa continuidade da vida, quando não é impedida por uma tragédia, como a já expressa no inicio da letra musical em questão. A chegada dos filhos, bebês, normalmente é aguardada com expectativa, e na medida do possível tudo é programado, inclusive os nomes são escolhidos, o que é retratado na musica quando diz “Meu filho vai ter Nome de santo Quero o nome mais bonito”. Já o refrão trata da importância de viver “o hoje” dando valor às pessoas e abrindo-se a elas, declarando os sentimentos. É preciso agir mais que pensar. Isto é expresso nas seguintes palavras:
É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Por que se você parar pra pensar
Na verdade não há
A letra música segue com questionamentos comuns em que as crianças pedem algumas explicações:
Me diz por que o céu é azul
Explica a grande fúria do mundo
São meus filhos que tomam conta de mim
Naturais de serem feitos, os pedidos de explicações da criança dizendo “Me diz por que o céu é azul Explica a grande fúria do mundo”, são contrastados com a inversão da realidade em que os pais passam a ser cuidados pelos filhos, que por sua vez passam a responder as perguntas dos pais tidos como crianças. Isso é inferido a partir passagem que diz “São meus filhos que tomam conta de mim”. Ora, tal questão pensada sob a ótica dos Direitos Humanos, implica em pensar na dignidade do idoso e nos seus direitos.
Neste contexto, até onde deve ir o papel dos filhos? E a constituição familiar preparou para o enfrentamento da inversão dos papeis entre indivíduos que antes vivenciaram o choque geracional? E qual configuração familiar é própria de cada pessoa? A estrofe abaixo aparenta expressar tal inquietação.
Eu moro com a minha mãe
Mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar
Já morei em tanta casa que nem me lembro mais
Eu moro com os meus pais
Uma situação onde a família é formada por “filho e mãe, e o pai vem visitar” aparenta ser melhor do que a situação de quem “mora na rua e não tem ninguém” ou quem “mora em qualquer lugar”. E ainda mostra a família com pais e filhos morando juntos “eu moro com os meus pais”. Neste momento o refrão é retomado como um apelo para que e olhe para o excluído que está na rua sem o mínimo necessário a uma vida digna. Neste sentido, o olhar dos Direitos Humanos pode emergir como um socorro, conduzindo os que tudo têm a dar suporte aos que nada possuem. Afinal, “É preciso amar as pessoas Como se não houvesse amanhã”.
E o que cada pessoa é, frente ao universo, parece reduzir-se ao efêmero e a consciência de que não se é o centro do universo. Isso é evidenciado em “Sou uma gota d’água Sou um grão de areia”. E na sequência, a estrofe segue com mais um trocadilho:
Você
me diz que seus pais não lhe entendem
Mas você não entende seus pais
Você culpa seus pais por tudo
Isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer?
Está evidente o choque de gerações que parecem não se entender. “Você me diz que seus pais não lhe entendem Mas você não entende seus pais”. Depois do que os pais fizeram, mesmo que tenham errado, certamente buscaram o melhor para seus filhos e não devem ser culpados pelos fracassos deles. “Você culpa seus pais por tudo, Isso é absurdo, São crianças como você”.
E, assim como os pais envelheceram se tornando crianças, os filhos devem amadurecer dando suporte aos pais. E aqui, os autores da música parecem fazer uma crítica pesada ao filho adulto, que culpa os pais se vitimizando, chamando-o de infantil ao dizer “O que você vai ser Quando você crescer?” Ora, o que parece estar em jogo é a atenção devida aos pais.
Portanto, diante desta breve análise abre-se um leque de possibilidades voltadas a um olhar para o humano, o que é necessário a pais e a filhos, sejam estes crianças, adolescentes, jovens ou adultos. Imprescinde um olhar humano para a família de maneira que seus membros possam se portar sem negligenciar direito de ninguém no contexto afetivo deste laço. Afinal,“é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”!
REFERÊNCIAS:
Exibição e Análise de vídeo – (Canção Pais e Filhos). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=sfixHYBWaiU> Acessado em 26 de Fevereiro de 2019.
Breve Histórico da canção: Disponível em: <http://comosurgiuacancao.blogspot.com/2014/01/pais-e-filhos-da-banda-legiao-urbana.html > Acessado dia 26 de Fevereiro. Exibição e Análise de vídeo – Canção “Pais e Filhos” Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=sfixHYBWaiU> Acessado em 26 de Fevereiro de 2019.
(Imagem do Google). Disponível em: <https://www.google.com/search?q=foto+do+album+quatro+esta%C3%A7%C3%A3o&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwi41tmJuNngAhUr01kKHVWsB4sQ_AUIDygC&biw=1366&bih=576#imgrc=BIkG_yO7Xbp9dM:> Acessado em 26 de fevereiro de 2019.


