Análise do filme “Moonlight” sob as perspectivas dos Direitos Humanos!

  1. Histórico sobre o filme: Moonlight

            Este trabalho tem o escopo de analisar o filme, Moonlight, sobre a perspectiva dos direitos humanos nas fases na vida, como infância, adolescência e fase adulta, ambos entrelaçados com a realidade apresentada pela obra cinematográfica, dando aso à discussões que rodeiam nosso cotidiano e perfazem uma vida truculenta, com as mais variáveis maneiras de isolamento de classes vulneráveis a sociedade.

            Em primeira vista, faz-se necessário uma explanação sobre o que trata a obra, pois trata-se um drama estadunidense, desenvolvido em 2016 e dirigido por Barry Jenkins e escrito por Jenkins e Tarell Alvin McCraney, baseado na peça inédita In Moonlight Black Boys Look Blue de McCraney[1]. A produção é composta por Trevante Rhodes, André Holland, Janelle Monáe, Ashton Sanders, Jharrel Jerome, Naomie Harris e Mahershala Ali, onde narra as etapas da vida de Chiron, o protagonista do drama, retratando as dificuldades que ele enfrenta no reconhecimento da sua própria sexualidade e na busca do autoconhecimento, bem como os abusos físicos e emocionais que lhe são bombardeados ao longo da sua trajetória. Foi filmado em Miami, na Flórida, em 2015, onde estreou no Festival de Cinema de Telluride em 2 de setembro de 2016. Distribuído pela A24, o filme foi lançado nos Estados Unidos em 21 de outubro de 2016[2], onde foi arrecado cerca de 28 milhões de dólares em todo o mundo.

            O filme também se tornou o primeiro longa-metragem com um elenco todo de negros, o primeiro filme de temática LGBT e o segundo filme de menor bilheteria americana (atrás de The Hurt Locket) a ganhar o prêmio de Melhor Filme. A editora do filme, Joi McMillon, tornou-se a primeira mulher negra a ser nomeada para um Oscar de edição (juntamente com o coeditor Nat Sanders) e Ali se tornou o primeiro muçulmano a ganhar um Oscar de atuação.[3][4]

Método

            Portanto, por uma questão didática e hermenêutica, decidimos compreender o longa-metragem de maneiro que o próprio filme fez, separando as épocas em que o personagem principal vive, após concluiremos com o entrelaçamento da obra com as perspectivas dos Direitos Humanos, intrigando nosso leitor a refletir sobre a existência de tais formas de segregação e inferência do próprio corpo social onde o mesmo é inserido face a busca do autoconhecimento, bem como numa análise mais específico sobre a perspectiva de infância, família e sexualidade.

Enredo

  1. Little

Em prima face, escutamos do filme a seguinte frase “Every nigger is a star”, criada em 2015 por Boris Gardiner, artista negro, que astuciosamente usa tal falácia para inflamar a autoestima da população negra. Todavia, o filme inicia com um menino, negro, correndo de colegas do colégio, num típico meio social onde se predomina a prática de bullying, com o desenrolar do filme, numa tentativa de inserir o espectador ao meio social em que o personagem vive, de maneira intrigante, a própria comunidade se dirige uns aos outros de maneira pejorativa, chamando uns aos outros de “nigger”, num sentimento inconsciente de se tratar uns aos outros como inferiores ou como pessoas taxadas daquilo.

            Ao avançar, o drama nos faz refletir o porquê do personagem ser tão perseguido pelos seus colegas, e o mesmo apresenta um forte bloqueio emocional com as pessoas, não conseguindo fazer amizades como qualquer outra pessoa, não apresentando o mesmo gosto dos outros garotos, numa verdadeira batalha para descobrir-se quem é.

Mais afrente, o vídeo nos mostra outra dificuldade que aquela criança vem sofrendo, qual seja a própria família, formada só por sua mãe, usuária de drogas e prostituta, ver-se que existe um resquício de estereotipagem da mãe solteira sobrecarregada do trabalho que usa drogas com válvula de escape que sempre esconde do menino o motivo pelo qual é perseguido por outros, criando barreiras entre o autoconhecimento de Chiron e a sexualidade, montando uma verdadeira censura desse tema para com a criança. Portanto, o filme mostra como é a vida de um menino gay que vive na periferia da costa sudoeste dos Estados Unidos, explanando as suas descobertas sexuais, relações com gangues na região, drogas e família.

  1. Chiron

Passam-se dez anos, agora deparamos com Chiron adolescente, sofrendo ainda mais as amarguras do bullying, onde o mesmo tenta se esconder de um colega de classe, que sempre o atormenta, para se refugiar o mesmo procura uma amiga, Teresa, onde lá temos que o garoto não sofre tanta imposição, já que em um determinado momento do filme, ainda em sua infância, o autor pergunta para os anfitriões da casa o que é ser “marica” ou “bicha”, onde por surpreendente temos que em vez do hospedeiro, apesar de ser um chefe do tráfico, deixa que o garoto descubra sozinho, e o encoraja a estar pronto quando descobrir, um verdadeiro momento de afeto e sensibilidade. Após, em uma cena, sui generis, o protagonista  encontra-se com um amigo na praia, onde os dois começam a desabafar sobre a vida, porém os mesmos afloram-se uns aos outros, dando lugar um sentido, que até o momento é enterrado pelo meio social, onde seu amigo, Kevin, o masturba, fazendo com que o adolescente Chiron identifique-se com aquela relação. Após, temos um embate sentimentalista onde o mesmo amigo que está na noite anterior deflorando seus sentimentos intrínsecos, é compelido pela sociedade a realizar um trote em seu amigo Chiron, onde se um lado temos o seu sentimento, e o outro temos a grande massa da sociedade que o obriga a reprimir as coisas intituladas como errado ou como inferior.

iii. Black

            Avança-se mais dez anos na vida de Chiron, sendo este um grande chefe do tráfico, com um físico diferente, musculoso, já que por ocupar um cargo alto na hierarquia posta na sociedade em que vive, tem de parecer com uma postura mais séria e forte. Sua mãe encontra-se em uma casa de tratamento onde ela liga constantemente para o filho ir visita-la, quando ele decide ir, Chiron desculpa-se com sua mãe, pois não teve empatia com ela, o que deixo-a naquela situação, após, Paula, sua mãe, também pede perdão por não ter oferecido aquilo que seu filho merecia, durante toda a vida. Todavia, ainda percebemos que o personagem principal reveste-se de um grande bloqueio sentimental, pois enquanto Chiron passeia com um de seus capangas, o mesmo pergunta para este sobre “as garotas” que seu amigo vem “pegando”, seu amigo, movido por uma cultura machista, aponta as casas da mulheres que vem namorando, porém Chiron parece um pouco desconfortável com tal situação. A seguir, o protagonista recebe a ligação do seu velho amigo, Kevin, em tal momento percebemos que Chiron ainda está em sua busca pelo autoconhecimento, pois o contato com Kevin o deixa aflito e pensativo. A seguir, Chiron viaja para Miami, ao encontro de Kevin, lá Kevin fica um surpreso com Chiron, seu estilo, motivações e modo de viver, pois é totalmente diferente da pessoa que conhecerá a anos atrás. Chiron fica um pouco obstinado a comer e beber com seu amigo.

Após o jantar, Kevin convida Chiron para ir ao seu apartamento, lá temos que Kevin se arrepende de ter participado do trote, que tanto prejudicou a vida de Chiron, e que apesar de viver com pouca condição financeira, bem como a sua vida não ocorreu como planejou, é feliz. Chiron, não consegue se conter, e revela a seu amigo, que jamais se relacionou com outra pessoa, desde o dia em que tiveram juntos a beira do mar, em sua adolescência. Após, Chiron relembra da sua infância, olhando para o mar. Por fim, nos parece que Chiron, finalmente desvenda todas as suas angustias e dúvidas, deflorando seus sentimentos e ficando com a pessoa sempre amou.

Análise

Sob uma perspectiva técnica o filme nos mostra uma grande exclusão social, que apesar dos Estados Unidos ser signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos que tem como objetivo garantir uma igualdade maior dentre a população, onde apesar que seus ditames se analisados sob uma perspectiva crítica nos trazem diversas incongruências, falha miseravelmente com aquilo que diz ser subscritor, transparecendo que o Estado institui normas para se legitimar, mas que não saem de um plano abstrato. Com isso, vários regulamentos são feridos de morte como por exemplo em seu artigo sétimo que prega: “Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual proteção da lei. Todos têm direito a proteção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.”[5] Ora, é claro que o filme retrata um realidade totalmente oposta ao que descreve os preceitos do referido tratado, onde a discriminação está intimamente relacionado com o inconsciente da população, algo tão arraigado que transcende a percepção do comportamento que os mesmos tem uns com os outros.

Sob uma perspectiva característica com ênfase aos aspectos de infância, família e sexualidade, percebemos que o filme nos mostra um tipo incomum de família, qual seja a família monoparental, porém há ainda um resquício de taxatividade na obra cinematográfica, pois retrata um pouco, a incapacidade que a mulher tem de enfrentar os desafios impostos, sempre mostrando a necessidade de ter-lhe um homem para apoiá-la. O filme também nos mostra que a família biparentales e adoptivas tendem a ser mais equilibradas e propícias a dar uma maior estabilidade no relacionamento entre estas. Sua relação com a sexualidade é intrínseca, pois o filme desenvolve-se na busca do autoconhecimento pelo protagonista, ao perceber que não gosta das mesmas coisas que seus colegas, e que é perseguido durante toda a vida por causa disso, onde no auge da sua vida adulta o mesmo é forçado a ter uma postura estereotipada máscula, que não deixe transparecer aquilo quer parecer. Tais posturas, que são apresentadas pelo filme, nos deixam intrigados a saber, o por quê as pessoas não se empatizam com o outro? Porque nos parece que o Estado na verdade só quer legitimar-se perante o povo editando apenas “normas” que não saem do papel, e não correspondem com a realidade que a sociedade realmente vive? Porque pensamentos discriminatórios são praticados constantemente, porém não são percebidos, como se fosse sugado toda a sensibilidade do outro?

Por fim, Moonlight nos parece um filme que quebra falências narrativas e estéticas, para tentar mostrar da maneira mais pragmática aquilo que descreve, pois é assim que o filme penetra nos mais íntimos sentimentos do espectador, perfazendo um grande sentimento de empatia pelo personagem principal. Moonlight é acima de tudo um filme que detêm uma grande sensibilidade e afetividade.

Referências:


[1] Crespo, Irene. Crespo, Irene. «’Moonlight’, o filme que pode evitar que ‘La La Land’ leve tudo no Oscar 2017». El País. Consultado em 5 de março de 2019

[2] Keegan, Rebecca. «To give birth to ‘Moonlight,’ writer-director Barry Jenkins dug deep into his past». Los Angeles Times. Consultado em 5 de março de 2019.

[3] France, Lisa Respers. «Oscar mistakes overshadowns historic moment for ‘Moonlight’». CNN. Consultado em 5 de março de 2019.

[4] Rose, Steve. «Don’t let that Oscars blunder overshadow Moonlight’s monumental achievement». The Guardian. Consultado em 5 de março de 2019

[5] http://www.mp.go.gov.br/portalweb/hp/7/docs/declaracao_universal_dos_direitos_do_homem.pdf. Consultado em 5 de março de 2019.

Livro Primeiro mataram meu pai

O livro “Primeiro mataram meu pai” (First They Killed My Father) foi lançado pela editora Harper Collins Brasil em 2000, o livro é uma autobiografia de Loung Ung. A obra inspirou o filme com o mesmo nome, lançado em 2017 e dirigido pela atriz Angelina Jolie. No livro a autora Loung Ung retrata sua dura trajetória para espacar do regime do ditador Pol Pot, implementado no Camboja. No inicio do livro a autora retrata que teve uma vida privilegiada até o inicio de sua infância, era de classe media e filha de um oficial do governo do Camboja, o que facilitava um bom convívio entre ela e seus familiares. Porém, Loung nos mostra que em abril de 1975 tudo mudou, pois foi instaurado o regime do Khmer Vermelho, o qual massacraria milhares de pessoas, matando boa parte da população cambojana.

O Khemer Vermelho é o nome dos seguidores do Partido Comunista da Kampuchea, esse regime foi implantado no Camboja e fundaria o que eles chamavam de “Camboja Democrático”. A principal ideia desse regime era que a sociedade urbana era corrompida e deveria ser substituída por uma mais pura, essa mudança daria origem ao “Novo Povo”, que era originado principalmente da população rural, com o intuito de criar uma sociedade cambojana mais forte e dinâmica. Durante os anos de 1975 e 1979 o Khmer Vermelho  foi o regime do Camboja, liderado por Pol Pot, este regime é lembrado por seus massacres, que resultaram em um genocídio do povo cambojano, pois sias tentativas de reforma agraria levaram varias pessoas à fome enquanto sua insistência na autossuficiência, até mesmo nos serviços médicos, levou à morte de milhares de pessoas em consequência de doenças tratáveis, com mortes atingindo cerca de 20% da população da época.

 Tal programa incluía a evacuação total das cidades, formação de fazendas coletivas, onde era imposto o trabalho forçado. Todos ali morriam extenuados pelas duras condições e alimentação quase inexistente. Religiosos, intelectuais, professores, qualquer pessoa que dominasse uma arte ou conhecimento era sumariamente executada. Os adultos eram considerados “envenenados pelo capitalismo”, assim, a prioridade do regime eram as crianças, que eram doutrinadas nos princípios comunistas, e recebiam papéis de liderança em torturas e execuções. Livros eram queimados, escolas, hospitais, fábricas, bancos e até a moeda foram extintos. Todos os de origem não cambojana eram perseguidos e executados. Um dos lemas do Khmer Vermelho, e que marcaria a sua passagem pelo poder, era: “Não existe beneficio em mantê-lo vivo. Não existe prejuízo em destruí-lo”.

No decorrer do livro, Loung fala que quando o exercito invadiu a cidade ela e sua família passaram a correr sérios riscos de vida, visto que, seu pai era agente do governo e um dos principais alvos do regime era eliminar todos que fossem vinculados ao antigo governo. A autora revela também que por um tempo eles conseguiram disfarçar a ex-profissão do pai, fingiam que eram camponeses e, por um tempo conseguiram viver unidos, mesmo sendo obrigados a fazerem trabalhos forçados em fazendas do Khmer Vermelho, porém, depois de um tempo a profissão real do seu pai foi descoberta.  Diante disso, como o próprio titulo do livro diz, o pai de Loung Ung foi assassinado, mas a família só tomou conhecimento disso anos depois, pois inicialmente disseram para eles que o pai de Loung ia apenas trabalhar por um tempo em outra fazenda. No livro Loung relata que viu sua mãe ficar sentada, triste, com esperança de um retorno do marido, enquanto negava a possibilidade de sua morte. Diante de tantas atrocidades que estavam ocorrendo com a família, a mãe de Loung, em uma tentativa desesperada de salvar a vida dos seus filhos, mandou Loung e dois de seus irmãos (eram sete ao total) saírem em busca de um campo de órfãos, sem revelar sua real filiação, explicando aos pequenos que está seria a única chance de sobrevivência.

Diante de todos esses acontecimentos narrados, Loung precisou fugir e acabou em um campo de formação de crianças-soldados, lá ela foi treinada para se tornar um dos membros do exercito comunista. A autora relata que seus irmãos não ficaram no mesmo local que ela, acabaram indo para um campo de trabalhos forçados, onde viviam em situações precárias de moradia, alimentação e maus tratos. Porém, apesar de todo sofrimento enfrentado por Loung e sua família eles não desistiram de ter uma vida mais digna e feliz, e foi em busca desses sentimentos que Loung aos dez anos conseguiu fugir com seus irmãos para a Tailandia, posteriormente a isso foram morar nos Estados Unidos. Em vários momentos no livro Loung retrata a forma cruel de tratamento que eles recebiam, mostrando que a vida em que levavam não era digna de um ser humano, um desses relatos foi este.  

“Apesar de pol pot dizer que somos todos iguais no Camboja democrático, nós não o somos. Nós vivemos e somos tratados como escravos, no nosso jardim, o angkar fornece-nos sementes e nós podemos plantar qualquer coisa que escolhemos, mas toda e qualquer coisa que cresce não nos pertence, pertence à comunidade. As pessoas da base comem os frutos e os vegetais dos jardins comunitários, mas as novas pessoas são punidas se fizerem o mesmo, durante a estação mais dura as colheitas dos campos são entregues ao chefe da vila, então ele raciona a comida entre as cinquenta famílias. Como sempre, não importa quão abundante tenham sido as colheitas, nunca há comida suficiente para o pessoal novo. Roubar comida é visto como um crime hediondo, se pego, os infratores arriscam terem os seus dedos cortados em púbico ou então serem forçados a cultivar vegetais numa área perto de identificados campos minados. Os soldados do Khmer Vermelho plantaram essas minas terrestres para proteger as províncias que eles tomaram do exército de Lon Nol, durante a revolução. O Khmer Vermelho plantou uma infinidade de minas terrestres e não desenhou nenhum mapa com a localização das mesmas. Por isso, agora muitas pessoas são feridas ou mortas atravessando essas área, as pessoas que trabalham nessas áreas não voltam para a vila, se uma pessoa pisa numa mina terrestre e perde um braço ou uma perna, ela passa a ser de nenhum valor para o Angkar. os soldados daí atiram nela para terminar o trabalho. na nova sociedade agrária pura não há lugar para pessoas com deficiência”.

Essa breve análise do livro nos faz perceber que está história é, sobretudo, uma historia de sobrevivência e superação, pois poucas famílias da década de 70 puderam sobreviver no regime implantado no Camboja. A autora declara isso em um dos momentos do livro, “Esta é uma história de sobrevivência: a minha e a de minha família. Embora estes acontecimentos façam parte da minha experiência de vida, minha história está refletida na vida de milhões de cambojanos”. Depois das diversas atrocidades que testemunhou, Loung se tornou escritora e ativista, fazendo campanhas com a ONG Campaign for a Landmine-Free World, que protesta contra o uso de minas terrestres no mundo.  

Diante do exposto, podemos analisar o livro sobre uma perspectiva da luz dos direitos humanos, visando destacar quais direitos foram negligenciados pelo governo em questão. Diante disso, analisando o contexto histórico do qual o acontecimento narrado por Loung faz parte, percebemos que durante os anos de 1975 até o ano de 1979, vários direitos fundamentais foram retirados dos cambojanos, visto que, o regime politico da época não primava em ter uma sociedade digna e igualitária, mas sim, em ter uma sociedade cujos valores e preceitos fossem aquilo que o regime queira, não se preocupando com o bem estar da sociedade, mas sim em atingir os seus ideais políticos. Com a análise do livro, percebemos que o regime Khmer Vermelho foi um dos vários massacres mundiais, porém, percebemos a pouca importância que o ensino historiográfico dá para ele, visto que, muitas pessoas da atualidade não sabem nem da existência desse regime, o que nos faz perceber um preconceito sobre a raça cambojana, tratando ela como inferior e, não dando o respeito e a devida importância para todos os sofrimentos e mortes ocorridos durante esse período. Portanto, percebemos que os direitos humanos não foram respeitados durante a época em questão, visto que, ocorreram diversas mortes cruéis devido a um governo ditador, que não primava pela igualdade. Percebemos então que, uma das principais mensagens que o livro nos traz é de que devemos dar maior importância para os regimes autoritários, pois esses regimes massacram sociedades, fazendo com que as pessoas não tenham um mínimo de dignidade humana, esse acontecimento nos faz refletir também sobre o quão é importante continuarmos na luta para um mundo mais igualitário e com uma igualdade de direitos, buscando assim uma vida digna para todos, principalmente os grupos minoritários, que muitas vezes são massacrados por imposições sociais os governamentais.    

Referências:

UNG. LOUNG. Primeiro mataram meu pai. Hasper Collins. 2000

“O brincar como processo de aprendizagem das crianças”

A brincadeira tem uma forte influência no desenvolvimento na vida de cada criança, trazendo benefícios em cada etapa dos pequeninos, pois através da brincadeira ela aprende a experimentar as possibilidades que o mundo os oferece. Como as relações sociais, desenvolve sua autonomia de ação de uma determinada ação, e começa aprender a lidar com suas emoções.

Como também o brincar ajuda no processo de aprendizagem da linguagem e de suas habilidades motoras. É sabido que as brincadeiras em grupo leva a desenvolver alguns princípios tais como: o da cooperação, competição e liderança.

Neste contexto os pais nem sempre tem um conhecimento da importância da brincadeira para sua prole Pois, nos dias atuais ainda se tem uma ideia arcaica que brincar é apenas uma maneira de deixar os filhos ocupados.

O   brincar é um direito garantido pela Constituição Federal, conforme preceitua o “artigo  227 É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.”  Como também está previsto no ECA – Lei nº 8.069 de 13 de Julho de 1990, no Art. 16, inciso IV – brincar, praticar esportes e divertir-se.

E por fim, a utilização de jogos por parte das crianças   ajuda elas ter uma percepção do mundo a sua volta, tendo como objetivo aprender regras, desenvolver suas habilidades físicas tais como correr e pular, e aprender lidar em saber ganhar e perder. Além disso, ocorre o desenvolvimento da aprendizagem da linguagem, as brincadeiras em grupo ensina as crianças   a competir, obedecer regras e cooperação, etc. Podemos dizer que o brinquedo pode ser um tipo de linguagem utilizadas pelas crianças.

                                                                (Jamile B. Cantalice)

Referências: Disponível em: <http://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/con1988_07.05.2015/art_227_.asp > Acessado em 30 de março de 2019.

“A exploração e tráfico de crianças e adolescestes é crime”

A exploração e tráficos de crianças e adolescestes tem se tornado vítimas vulneráveis, muitas vezes por falta de informação, ás vezes por necessidades devido ao meio que vivem, como também por sua fragilidade, ou até mesmo são enganadas que terão uma vida melhor através da exploração em outros países.

Assim torna alvos do tráfico de pessoas, ainda não há dados exatos da quantidade de crianças e adolescentes vítimas desse tipo de exploração ou trafico. A Lei nº 8.069 de 13 de Julho de 1990, conforme preceitua no “artigo 239. Promover ou auxiliar a efetivação de ato destinado ao envio de criança ou adolescente para o exterior com inobservância das formalidades legais ou com o fito de obter lucro:

Pena – reclusão de quatro a seis anos, e multa.

Parágrafo único. Se há emprego de violência, grave ameaça ou fraude: (Incluído pela Lei nº 10.764, de 12.11.2003)

Pena – reclusão, de 6 (seis) a 8 (oito) anos, além da pena correspondente à violência.

É de suma importância que haja a prevenção desse tipo de exploração, para que novos casos não venha ocorrer, a sociedade em geral deve cobrar aos governantes para que criem leis mais severas contra qualquer tipo de exploração infantil, onde essa atividade é considerada uma das piores formas de trabalho realizadas pelas crianças ou adolescentes. Em consonância a   Lei nº 8.069 de 13 de Julho de 1990, em seu artigo 244-A. Submeter criança ou adolescente, como tais definidos no caput do art. 2o desta Lei, à prostituição ou à exploração sexual: (Incluído pela Lei nº 9.975, de 23.6.2000).”

Pena – reclusão de quatro a dez anos, e multa.

Pena – reclusão de quatro a dez anos e multa, além da perda de bens e valores utilizados na prática criminosa em favor do Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente da unidade da Federação (Estado ou Distrito Federal) em que foi cometido o crime, ressalvado o direito de terceiro de boa-fé. (Redação dada pela Lei nº 13.440, de 2017)

§ 1o Incorrem nas mesmas penas o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se verifique a submissão de criança ou adolescente às práticas referidas no caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.975, de 23.6.2000)

§ 2o Constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento. (Incluído pela Lei nº 9.975, de 23.6.2000).

Logo, as vítimas desse crime, desenvolvem graves sequelas tanto físicas, psicológicas, econômicas e sociais. Essa referida pratica é uma das mais graves violações aos Direitos Humanos, bem como é reconhecida como uma das piores formas de trabalho infantil.

DIGA NÃO A EXPLORAÇÃO INFANTIL!

( Jamile B. Cantalice)

Referência: Disponível em: https://www.google.com/search?q=244-A.+Submeter+crian%C3%A7a+ou+adolescente%2C+como+tais+definidos+no+caput+do+art.+2o+desta+Lei%2C+%C3%A0+prostitui%C3%A7%C3%A3o+ou+%C3%A0+explora%C3%A7%C3%A3o+sexual%3A+(Inclu%C3%ADdo+pela+Lei+n%C2%BA+9.975%2C+de+23.6.2000).%E2%80%9D&oq=244A.+Submeter+crian%C3%A7a+ou+adolescente%2C+como+tais+definidos+no+caput+do+art.+2o+desta+Lei%2C+%C3%A0+prostitui%C3%A7%C3%A3o+ou+%C3%A0+explora%C3%A7%C3%A3o+sexual%3A+(Inclu%C3%ADdo+pela+Lei+n%C2%BA+9.975%2C+de+23.6.2000).%E2%80%9D&aqs=chrome..69i57.3218j0j4&sourceid=chrome&ie=UTF-8 Acessado em 30 de março de 2019.

“A arte como um ponto fundamental para o desenvolvimento das crianças”

Através das atividades como a arte permite que as crianças possa expressar como por exemplo suas emoções e sentimentos. E essas expressões podem ser manifestadas de formas diferentes, por crianças diferentes, assim cada uma desenvolve suas habilidades e talentos específicos.

É que chamamos dons artísticos que será expressado através de pinturas, desenhos, músicas, danças dentre outras, que propicia desde cedo para os pequenos, ainda em sua infância, e esse talento ajuda no desenvolvimento da criança   no aprimoramento de suas atividades e habilidades, etc.

Entretanto, é de suma importância o ensino da arte para o desenvolvimento infantil, pois reflete tanto na história como na cultura vivenciada pelas crianças, onde elas expressam esse universo infantil de forma natural, desenhando os momentos de sua vida, mesmo que tenha pouca experiências.A arte tem com funções de:

Desenvolver a criatividade da crianças;

Expressar as emoções;

Estimular a escrita;

Aguçar a percepção com os cinco sentidos.

                                                                     (Jamile B. Cantalice)

Referência: Disponível em: < https://www.terra.com.br/noticias/dino/qual-e-a-importancia-da-arte-para-o-desenvolvimento-infantil,7a1efed4f74420abc616d1a636bf2ab3enwws4ab.html> Acessado 30 de março de 2019.

“Trabalho infantil à luz do Estatuto da Criança e do Adolescente”

Diante   da pergunta abordada o trabalho infantil é realizada por crianças e adolescentes, que por sua vez não possui a idade e nem tem aptidão para realização de tal serviço, conforme a legislação brasileira.

  Entretanto no Brasil, como regra geral esse tipo de trabalho é proibido para jovens que ainda não tenha 16 anos. Se o trabalho for na condição de jovem aprendiz, neste caso será permitido. Quando o trabalho é noturno, seja perigoso, insalubre a atividade é proibição é estendida para os jovens de 18 anos incompletos.

Para o Estatuto da Criança e do Adolescente o trabalho infantil é: Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

Portanto, quando uma criança trabalha a mesma   perde seus direitos de brincar, estudar e aprender, como também diminui seu tempo de convivência com seus pais. Esse trabalho infantil roubada todos os seus sonhos, quando ao invés de ir a escola, brincar, ter os pais dando assistências necessárias, pode deixar a situação vulneráveis para que ocorra violações de direitos das crianças e adolescentes.

De acordo com o ECA:“Art. 53. A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho …”

                                                                               (Jamile B. Cantalice)

Referencia:Disponível em: <https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10619550/artigo-4-da-lei-n-8069-de-13-de-julho-de-1990> Acessado em 30 de março de 2019.                                                                               

Infância e Direitos Humanos – reflexões preliminares!

Pensar a infância é uma tarefa desenvolvida por muitos campos de conhecimento, desde o da saúde até o da educação, passando por vários outros, como por exemplo, o dos Direitos Humanos – DH. Ora, este âmbito, no tocante a infância lança um olhar para a criança como um ser humano que merece um atenção especial, de forma que seja garantida a sua dignidade.

As lentes dos direitos humanos permitem enxergar que a criança precisa ter garantidas as condições para o seu desenvolvimento físico, intelectual e emocional, de forma que lhe seja proporcionada uma educação de qualidade, alimentação adequada e ambiente familiar regido por afeto e respeito.

O Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA lista uma série de direitos da criança. Mas questiona-se até que ponto os direitos lá elencados são garantidos? Neste contexto a sensibilidade dos DH se mostra fundamental para que sejam movidas lutas para que sejam garantidos tais direitos. Portanto, à luz dos Direitos Humanos, a infância é vista como uma fase expansiva ao desenvolvimento da criança em que deve prevalecer o aprender, o crescer, o criar e o brincar sob uma proteção carinhosa e comprometida com o futuro. Ademais, o conjunto dos comentários deste blog compõe um repertório que se complementa em uma teia reflexiva.

Jamile Cantalice

Destaque

“Análise da Música Pais e Filhos sob as lentes dos Direitos Humanos”

BREVE HISTÓRICO DA CANÇÃO

Primeiramente é interessante discorrermos, mesmo que brevemente, de alguns aspecto históricos. No que diz respeito a banda, trata-se da Legião Urbana, uma da mais bem conceituadas banda de rock que o Brasil já teve, atuando entre os anos de 1982 e 1996. Já a música Pais e Filhos, que retrata principalmente o relacionamento entre pais e filho, foi um dos maiores sucessos que a banda teve. A letra da música foi inspirada e dedicada a uma amiga do vocalista Renato Russo, que havia se jogado do 5º andar de um prédio na cidade de Brasília sob conflito que sucedeu uma briga com os pais. Vale destacar ainda que duas partes da música ainda tiveram outras fontes inspirativas, a primeira   refere-se ao “nome de santo” que teria origem   no filho do cantor Renato, o Giuliano. A segunda refere-se às partes que dizem “sou a gota d’água… e É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã…” que foram retiradas de um livro chinês a que os autores da música tiveram acesso. Dito isto, faremos uma análise da música buscando perceber a questão da criança e do adolescente no contexto familiar, considerando alguns aspetos no que tange aos Direito humanos.

CONTEXTO ESPECÍFICO

Música: Pais e Filhos

Composição:  Dado Villa Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá

Intérprete: Legião Urbana

Ano de divulgação: 1989

Álbum: As quatro estações

Meio de divulgação: Youtube

Apresentação: Vocal

Gênero/Estilo: Música Popular Brasileira

Qual a temática da canção: Relacionamento entre “Pais e Filhos”

CONTEXTO GERAL

Performance –  Mediante o vídeo de análise do trabalho a performance é vocal.

Contexto – Uma menina se joga do 5° andar após brigar com seus pais, ou seja, é perceptível   vê na letra da canção o conflito entre a menina e seus pais. Onde a jovem mora com sua mãe e seu pai vai apenas

ANALISE DA LETRA DA CANÇÃO

Buscaremos analisar a canção Pais e Filhos, não em seu aspecto melódico, mas no que diz respeito à letra da canção. Para isso, consideraremos alguns aspectos, no contexto familiar, que é dotado do indivíduo nas diversas faixas etárias, a saber, crianças, adolescentes e adultos. Adentraremos ainda em questões ligadas aos papéis a serem desempenhados no âmbito familiar.  Traremos um olhar analítico que se fundamenta em preceitos ligados aos direitos humanos.

Sendo assim, por uma questão didática e hermenêutica, resolvemos decompor a totalidade da poesia em partes, de forma que melhor seja esclarecido acerca da nossa percepção de cada trecho. Estão presentes emoções, sentimentos, desejos em um contexto multicultural em que estão representadas individualidades e identidades.

Tomemos o trecho:

Estátuas e cofres
E paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada fácil de entender

As estátuas parecem fazer referência a seres inanimados que não percebem o que está acontecendo ao redor. Talvez pessoas que são vistas aparentemente, semelhante ao olhar para uma parede em que não se detecta mensagem alguma, além da aparência da tinta que esconde o seu interior. E os cofres apontam para tesouros escondidos, mas trancados, e assim como as pessoas, apenas se abrindo podem dar acesso aos seus tesouros. 

“Ninguém sabe o que aconteceu, ela se jogou do quinto andar”. Este trecho revela a deficiência no diálogo, pois a real motivação do suicídio não foi dividida com ninguém. E agora, nada fácil de entender. Teria faltado um olhar humano? Empatia? Afeto? Que direito foi negado que bloqueou a abertura dialógica? Muitas perguntas e poucas repostas, contudo, oportunidade de olhar o outro tentando perceber os contextos a partir do olhar dele, sendo sensível, a ponto de alcançá-lo onde ele se encontra estabelecendo uma relação de confiança despida de julgamentos baseados em estereótipos.

É necessário que o simples direito de ser respeitado seja observado, e respeitar tem ligação com olhar uma segunda vez, perceber a pessoa e o acontecimento por um prisma diferenciado. Ora, será que erramos para com esta adolescente (representada na música), sendo insensíveis aos seus conflitos e necessidades mesmo estando fisicamente tão próximos? Que a reflexão sobre letra da melodia impeça novos erros. Passemos para mais uma parte da letra musical:

Dorme agora
É só o vento lá fora
Quero colo
Vou fugir de casa
Posso dormir aqui
Com vocês?
Estou com medo tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três

Este trocadilho aponta para duas questões. A primeira, é a da criança que precisa dormir, mas se mostra com medo recorrendo ao aconchego dos pais no quarto deles. Isto se evidencia quando diz: Dorme agora, é só o vento lá fora, quero colo, Posso dormir aqui com vocês? Estou com medo tive um pesadelo”. Devido ao fato de ser criança, alguma sensibilidade dos pais parece permitir o aconchegar-se do filho.

A segunda questão é a que faz referência à outra fase, a adolescência, onde os grupos de afinidades ocupam espaços, sobretudo, as lacunas deixadas pelas falhas relacionais familiares. Ao dizer Vou fugir de casa, Só vou voltar depois das três fica evidenciado o conflito próprio da fase que precisa de especial atenção. É necessário um olhar movido por um laço afetivo dotado de sabedoria para que o adolescente se sinta parte da família, e esteja integrado a ela, evitando, assim, a vontade de fugir ou de deixar de existir. Na sequência temos a estrofe:

Meu filho vai ter
Nome de santo
Quero o nome mais bonito

Como algo natural em um ciclo, os papéis se invertem, de forma que os filhos passam a ser pais dos próprios filhos numa continuidade da vida, quando não é impedida por uma tragédia, como a já expressa no inicio da letra musical em questão. A chegada dos filhos, bebês, normalmente é aguardada com expectativa, e na medida do possível tudo é programado, inclusive os nomes são escolhidos, o que é retratado na musica quando diz Meu filho vai ter Nome de santo Quero o nome mais bonito”.  Já o refrão trata da importância de viver “o hoje” dando valor às pessoas e abrindo-se a elas, declarando os sentimentos. É preciso agir mais que pensar. Isto é expresso nas seguintes palavras:

É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Por que se você parar pra pensar
Na verdade não há

A letra música segue com questionamentos comuns em que as crianças pedem algumas explicações:

Me diz por que o céu é azul
Explica a grande fúria do mundo
São meus filhos que tomam conta de mim

Naturais de serem feitos, os pedidos de explicações da criança dizendo Me diz por que o céu é azul Explica a grande fúria do mundo, são contrastados com a inversão da realidade em que os pais passam a ser cuidados pelos filhos, que por sua vez passam a responder as perguntas dos pais tidos como crianças. Isso é inferido a partir passagem que diz São meus filhos que tomam conta de mim. Ora, tal questão pensada sob a ótica dos Direitos Humanos, implica em pensar na dignidade do idoso e nos seus direitos.

Neste contexto, até onde deve ir o papel dos filhos? E a constituição familiar preparou para o enfrentamento da inversão dos papeis entre indivíduos que antes vivenciaram o choque geracional? E qual configuração familiar é própria de cada pessoa? A estrofe abaixo aparenta expressar tal inquietação.

Eu moro com a minha mãe
Mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar
Já morei em tanta casa que nem me lembro mais
Eu moro com os meus pais

            Uma situação onde a família é formada por “filho e mãe, e o pai vem visitar” aparenta ser melhor do que a situação de quem “mora na rua e não tem ninguém” ou quem “mora em qualquer lugar”. E ainda mostra a família com pais e filhos morando juntos “eu moro com os meus pais”. Neste momento o refrão é retomado como um apelo para que e olhe para o excluído que está na rua sem o mínimo necessário a uma vida digna. Neste sentido, o olhar dos Direitos Humanos pode emergir como um socorro, conduzindo os que tudo têm a dar suporte aos que nada possuem. Afinal, É preciso amar as pessoas Como se não houvesse amanhã.

            E o que cada pessoa é, frente ao universo, parece reduzir-se ao efêmero e a consciência de que não se é o centro do universo. Isso é evidenciado em Sou uma gota d’água Sou um grão de areia. E na sequência, a estrofe segue com mais um trocadilho:


Você me diz que seus pais não lhe entendem
Mas você não entende seus pais
Você culpa seus pais por tudo
Isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer?

Está evidente o choque de gerações que parecem não se entender. Você me diz que seus pais não lhe entendem Mas você não entende seus pais. Depois do que os pais fizeram, mesmo que tenham errado, certamente buscaram o melhor para seus filhos e não devem ser culpados pelos fracassos deles. Você culpa seus pais por tudo, Isso é absurdo, São crianças como você”.

E, assim como os pais envelheceram se tornando crianças, os filhos devem amadurecer dando suporte aos pais. E aqui, os autores da música parecem fazer uma crítica pesada ao filho adulto, que culpa os pais se vitimizando, chamando-o de infantil ao dizer “O que você vai ser Quando você crescer? Ora, o que parece estar em jogo é a atenção devida aos pais.

Portanto, diante desta breve análise abre-se um leque de possibilidades voltadas a um olhar para o humano, o que é necessário a pais e a filhos, sejam estes crianças, adolescentes, jovens ou adultos. Imprescinde um olhar humano para a família de maneira que seus membros possam se portar sem negligenciar direito de ninguém no contexto afetivo deste laço. Afinal,“é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”!

REFERÊNCIAS:

Exibição e Análise de vídeo – (Canção Pais e Filhos). Disponível em:  <https://www.youtube.com/watch?v=sfixHYBWaiU&gt; Acessado em 26 de Fevereiro de 2019.

Breve Histórico da canção: Disponível em: <http://comosurgiuacancao.blogspot.com/2014/01/pais-e-filhos-da-banda-legiao-urbana.html > Acessado dia 26 de Fevereiro. Exibição e Análise de vídeo – Canção “Pais e Filhos” Disponível em:  <https://www.youtube.com/watch?v=sfixHYBWaiU&gt; Acessado em 26 de Fevereiro de 2019.

(Imagem do Google).  Disponível em: <https://www.google.com/search?q=foto+do+album+quatro+esta%C3%A7%C3%A3o&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwi41tmJuNngAhUr01kKHVWsB4sQ_AUIDygC&biw=1366&bih=576#imgrc=BIkG_yO7Xbp9dM:&gt; Acessado em 26 de fevereiro de 2019.