Esperança em meio ao caos.


Tanitoluwa Adewumi, que mora com sua família em um abrigo na cidade de Nova York, passou de novato em xadrez a campeão de xadrez em pouco mais de um ano. Christopher Lee para o New York Times.





Este é Tanitoluwa Adewumi, uma criança de 8 anos que busca, juntamente com sua família, aprovação do governo norte-americano para permanecer em território estadunidense. Tudo começou com Tani, assim que chamam Tanitoluwa, e sua família fugindo da Nigéria, por perseguição do grupo terrorista Boko Haram, que são contra cristãos. Chegaram aos Estados Unidos em 2017, e desde então estavam vivendo em um abrigo. Ele iniciou sua jornada para o “milagre” em uma escola local, PS116, em que um professor investiu tempo em Tani e o ajudou a desenvolver sua capacidade em xadrez.

Acontece que, Tani venceu a competição de xadrez em Nova Yorque, passando à frente de crianças de escolas particulares, e até mesmo crianças com mais experiência. Cristopher Lee, colunista do jornal New York Times, escreveu uma matéria sobre Tani e sua conquista improvável. E diante da coluna exposta, vários leitores se dispuseram a doar dinheiro, casa, carro e até mobília para Tani e sua família, abrindo portas em território estadunidense. Mesmo diante de políticas extremas, houve uma esperança para Tani.

De acordo com a Declaração Universal dos Direitos da Criança, o princípio VII :


“A criança tem direito a receber educação escolar, a qual será gratuita e obrigatória, ao menos nas etapas elementares. Dar-se-á à criança uma educação que favoreça sua cultura geral e lhe permita – em condições de igualdade de oportunidades – desenvolver suas aptidões e sua individualidade, seu senso de responsabilidade social e moral. Chegando a ser um membro útil à sociedade.”

Ainda, a convenção sobre os Direitos da Criança, em seu artigo 22 º , parágrafo primeiro:

Os Estados Partes tomam as medidas necessárias para que a criança que requeira o estatuto de refugiado ou que seja considerada refugiado, de harmonia com as normas e processos de direito internacional ou nacional aplicáveis, quer se encontre só, quer acompanhada de seus pais ou de qualquer outra pessoa, beneficie de adequada protecção e assistência humanitária, de forma a permitir o gozo dos direitos reconhecidos pela presente Convenção e outros instrumentos internacionais relativos aos direitos do homem ou de carácter humanitário, de que os referidos Estados sejam Partes. “

A história de Tani revela que há possibilidade de refugiados serem inseridos na cultura do país receptor, sem subjugá-los a trabalhos subumanos com cargas horárias abusivas. Dentro das oportunidades oferecidas a Tani, que facilitou sua adaptação e sua qualidade de vida. Crianças que, em diversas situações, enquanto refugiadas são apresentadas a cenários de calamidade, tem pouca chance de se desenvolverem socialmente, culturalmente e submetidas a viverem em regiões sem alimentação, sem saneamento básico, sem proteção. Violando, principalmente, o artigo 24º da mesma Convenção sobre os Direitos da Criança:

“Os Estados Partes reconhecem à criança o direito a gozar do melhor estado de saúde possível e a beneficiar de serviços médicos e de reeducação. Os Estados Partes velam pela garantia de que nenhuma criança seja privada do direito de acesso a tais serviços de saúde.”

REFERÊNCIAS:

IMAGEM E FONTE DE DADOS:
https://www.nytimes.com/2019/03/16/opinion/sunday/chess-champion-8-year-old-homeless-refugee-.html
ARTIGOS DA CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DA CRIANÇA:

https://www.unric.org/html/portuguese/humanrights/Crianca.pdf 

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA:

http://www.crianca.mppr.mp.br/pagina-1069.html

(Vitória Lima L. Cavalcanti)


DIREITOS GARANTIDOS PELO ECA

O Estatuto da Criança e do Adolescente foi criado através da Lei nº 8.069 de 13 de julho de 1990 e aborda de maneira sistematizada os direitos referentes à criança e ao adolescente. A proteção ao ser humano está definida desde o ventre materno, devendo ser cobertos de proteção e cuidados pela família, sociedade e pelo governo.

No que tange ao monitoramento desse Estatuto, tem-se a atuação do Congresso Nacional através de um grupo organizado de senadores e deputados federais denominado Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente. Esse grupo tem a função de alinhar as demandas da sociedade, tirar dúvidas ou possíveis erros que possam ter no ECA. Além disso, essa Frente Parlamentar tem o direito e dever de propor alterações para que a legislação permaneça atualizada e garantindo os direitos das crianças e dos adolescentes de maneira cada vez mais eficaz.

Para o Estatuto, a criança é a pessoa que tem até 12 anos de idade incompletos, o adolescente está na faixa entre 12 e 18 anos e o adulto tem mais de 18 anos.

O ECA prevê que a criança e o adolescente têm direito à vida, saúde, liberdade dignidade, ao respeito, à convivência familiar e comunitária, alimentação, educação, ao esporte e lazer, à profissionalização e cultura. Ainda de acordo com o Estatuto, crianças e adolescentes têm prioridade no socorro em acidentes de trânsito, enchente, incêndio, ou qualquer outra ocasião similar. Eles também possuem o direito de ter um atendimento rápido em hospitais e postos de saúde e as crianças tem prioridade na distribuição do dinheiro público, pois o governo tem que empregar tais recursos observando, primeiramente, os projetos ligados à infância e juventude.

É válido ressaltar que a Lei nº 8.069 dispõe que nenhuma criança ou adolescente poderá sofrer negligência (descuido, desatenção), exploração, discriminação, violência, humilhação ou crueldade. É nítida a proibição de qualquer tipo de maus-tratos, e até aqueles que não participam, mas têm conhecimento sobre alguma situação de judiação e não denunciam, serão punidos.

No que concerne aos direitos da infância, é possível verificar que pela lei, as gestantes devem ter uma boa assistência médica na rede pública de saúde em todo período da gestação, durante e após o parto. E, preferencialmente, sendo acompanhada pelo mesmo médico. A lei ainda prevê que após o parto, os bebês devem possuir identificação, ser examinados e permanecer ao lado das mamães (no mesmo quarto do hospital), além de ter a garantia da amamentação, onde o governo e empresas devem ofertar as condições necessárias para que o bebê possa amamentar de maneira devida.

Ademais, se uma criança ou adolescente adoecer e precisar se internar, os pais têm o direito de permanecer o tempo todo ao lado do filho e o governo deve promover programas de prevenção e campanhas de conscientização da sociedade sobre saúde, higiene e vacinação.

No quesito trabalho, o Estatuto dispõe que a criança e o adolescente não podem trabalhar, com exceção daqueles que possuem, no mínimo 14 anos e participem do projeto aprendiz legal, onde o adolescente concilia estudos e trabalho com uma carga horária compatível com a legislação pertinente, recebe bolsa (remuneração em dinheiro) e possui direitos trabalhistas e previdenciários.

Por fim, ressalta-se que a Lei nº 13.812/2019 altera em seu art. 14 o art. 83 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), passando a vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 83.  Nenhuma criança ou adolescente menor de 16 (dezesseis) anos poderá viajar para fora da comarca onde reside desacompanhado dos pais ou dos responsáveis sem expressa autorização judicial.

§1º …………………………………………………………………………………………….

a) tratar-se de comarca contígua à da residência da criança ou do adolescente menor de 16 (dezesseis) anos, se na mesma unidade da Federação, ou incluída na mesma região metropolitana;

b) a criança ou o adolescente menor de 16 (dezesseis) anos estiver acompanhado:

…………………………………………………………………………………………………”

(NR).

Em qualquer caso de violação dos direitos da infância e juventude, o Conselho Tutelar poderá ser acionado. Esse Conselho está vinculado à prefeitura, é constituído por cidadãos da comunidade e tem a função de assistir e proteger crianças e adolescentes que possuem direitos acometidos, cobrando aos devidos responsáveis o atendimento efetivo aos preceitos do ECA.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990. Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8069.htm>. Acessado em 18 de março de 2019.

(IMAGEM). Disponível em: <http://www.conselhotutelar.com.br/conhecendo-melhor-eca-estatuto-da-crianca-e-do-adolescente/>. Acessado em 05 de abril de 2019.

                                                               
Krislaine Oliveira

“O brincar como processo de aprendizagem das crianças”

A brincadeira tem uma forte influência no desenvolvimento na vida de cada criança, trazendo benefícios em cada etapa dos pequeninos, pois através da brincadeira ela aprende a experimentar as possibilidades que o mundo os oferece. Como as relações sociais, desenvolve sua autonomia de ação de uma determinada ação, e começa aprender a lidar com suas emoções.

Como também o brincar ajuda no processo de aprendizagem da linguagem e de suas habilidades motoras. É sabido que as brincadeiras em grupo leva a desenvolver alguns princípios tais como: o da cooperação, competição e liderança.

Neste contexto os pais nem sempre tem um conhecimento da importância da brincadeira para sua prole Pois, nos dias atuais ainda se tem uma ideia arcaica que brincar é apenas uma maneira de deixar os filhos ocupados.

O   brincar é um direito garantido pela Constituição Federal, conforme preceitua o “artigo  227 É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.”  Como também está previsto no ECA – Lei nº 8.069 de 13 de Julho de 1990, no Art. 16, inciso IV – brincar, praticar esportes e divertir-se.

E por fim, a utilização de jogos por parte das crianças   ajuda elas ter uma percepção do mundo a sua volta, tendo como objetivo aprender regras, desenvolver suas habilidades físicas tais como correr e pular, e aprender lidar em saber ganhar e perder. Além disso, ocorre o desenvolvimento da aprendizagem da linguagem, as brincadeiras em grupo ensina as crianças   a competir, obedecer regras e cooperação, etc. Podemos dizer que o brinquedo pode ser um tipo de linguagem utilizadas pelas crianças.

                                                                (Jamile B. Cantalice)

Referências: Disponível em: <http://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/con1988_07.05.2015/art_227_.asp > Acessado em 30 de março de 2019.

“A exploração e tráfico de crianças e adolescestes é crime”

A exploração e tráficos de crianças e adolescestes tem se tornado vítimas vulneráveis, muitas vezes por falta de informação, ás vezes por necessidades devido ao meio que vivem, como também por sua fragilidade, ou até mesmo são enganadas que terão uma vida melhor através da exploração em outros países.

Assim torna alvos do tráfico de pessoas, ainda não há dados exatos da quantidade de crianças e adolescentes vítimas desse tipo de exploração ou trafico. A Lei nº 8.069 de 13 de Julho de 1990, conforme preceitua no “artigo 239. Promover ou auxiliar a efetivação de ato destinado ao envio de criança ou adolescente para o exterior com inobservância das formalidades legais ou com o fito de obter lucro:

Pena – reclusão de quatro a seis anos, e multa.

Parágrafo único. Se há emprego de violência, grave ameaça ou fraude: (Incluído pela Lei nº 10.764, de 12.11.2003)

Pena – reclusão, de 6 (seis) a 8 (oito) anos, além da pena correspondente à violência.

É de suma importância que haja a prevenção desse tipo de exploração, para que novos casos não venha ocorrer, a sociedade em geral deve cobrar aos governantes para que criem leis mais severas contra qualquer tipo de exploração infantil, onde essa atividade é considerada uma das piores formas de trabalho realizadas pelas crianças ou adolescentes. Em consonância a   Lei nº 8.069 de 13 de Julho de 1990, em seu artigo 244-A. Submeter criança ou adolescente, como tais definidos no caput do art. 2o desta Lei, à prostituição ou à exploração sexual: (Incluído pela Lei nº 9.975, de 23.6.2000).”

Pena – reclusão de quatro a dez anos, e multa.

Pena – reclusão de quatro a dez anos e multa, além da perda de bens e valores utilizados na prática criminosa em favor do Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente da unidade da Federação (Estado ou Distrito Federal) em que foi cometido o crime, ressalvado o direito de terceiro de boa-fé. (Redação dada pela Lei nº 13.440, de 2017)

§ 1o Incorrem nas mesmas penas o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se verifique a submissão de criança ou adolescente às práticas referidas no caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.975, de 23.6.2000)

§ 2o Constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento. (Incluído pela Lei nº 9.975, de 23.6.2000).

Logo, as vítimas desse crime, desenvolvem graves sequelas tanto físicas, psicológicas, econômicas e sociais. Essa referida pratica é uma das mais graves violações aos Direitos Humanos, bem como é reconhecida como uma das piores formas de trabalho infantil.

DIGA NÃO A EXPLORAÇÃO INFANTIL!

( Jamile B. Cantalice)

Referência: Disponível em: https://www.google.com/search?q=244-A.+Submeter+crian%C3%A7a+ou+adolescente%2C+como+tais+definidos+no+caput+do+art.+2o+desta+Lei%2C+%C3%A0+prostitui%C3%A7%C3%A3o+ou+%C3%A0+explora%C3%A7%C3%A3o+sexual%3A+(Inclu%C3%ADdo+pela+Lei+n%C2%BA+9.975%2C+de+23.6.2000).%E2%80%9D&oq=244A.+Submeter+crian%C3%A7a+ou+adolescente%2C+como+tais+definidos+no+caput+do+art.+2o+desta+Lei%2C+%C3%A0+prostitui%C3%A7%C3%A3o+ou+%C3%A0+explora%C3%A7%C3%A3o+sexual%3A+(Inclu%C3%ADdo+pela+Lei+n%C2%BA+9.975%2C+de+23.6.2000).%E2%80%9D&aqs=chrome..69i57.3218j0j4&sourceid=chrome&ie=UTF-8 Acessado em 30 de março de 2019.

“A arte como um ponto fundamental para o desenvolvimento das crianças”

Através das atividades como a arte permite que as crianças possa expressar como por exemplo suas emoções e sentimentos. E essas expressões podem ser manifestadas de formas diferentes, por crianças diferentes, assim cada uma desenvolve suas habilidades e talentos específicos.

É que chamamos dons artísticos que será expressado através de pinturas, desenhos, músicas, danças dentre outras, que propicia desde cedo para os pequenos, ainda em sua infância, e esse talento ajuda no desenvolvimento da criança   no aprimoramento de suas atividades e habilidades, etc.

Entretanto, é de suma importância o ensino da arte para o desenvolvimento infantil, pois reflete tanto na história como na cultura vivenciada pelas crianças, onde elas expressam esse universo infantil de forma natural, desenhando os momentos de sua vida, mesmo que tenha pouca experiências.A arte tem com funções de:

Desenvolver a criatividade da crianças;

Expressar as emoções;

Estimular a escrita;

Aguçar a percepção com os cinco sentidos.

                                                                     (Jamile B. Cantalice)

Referência: Disponível em: < https://www.terra.com.br/noticias/dino/qual-e-a-importancia-da-arte-para-o-desenvolvimento-infantil,7a1efed4f74420abc616d1a636bf2ab3enwws4ab.html> Acessado 30 de março de 2019.

“Trabalho infantil à luz do Estatuto da Criança e do Adolescente”

Diante   da pergunta abordada o trabalho infantil é realizada por crianças e adolescentes, que por sua vez não possui a idade e nem tem aptidão para realização de tal serviço, conforme a legislação brasileira.

  Entretanto no Brasil, como regra geral esse tipo de trabalho é proibido para jovens que ainda não tenha 16 anos. Se o trabalho for na condição de jovem aprendiz, neste caso será permitido. Quando o trabalho é noturno, seja perigoso, insalubre a atividade é proibição é estendida para os jovens de 18 anos incompletos.

Para o Estatuto da Criança e do Adolescente o trabalho infantil é: Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

Portanto, quando uma criança trabalha a mesma   perde seus direitos de brincar, estudar e aprender, como também diminui seu tempo de convivência com seus pais. Esse trabalho infantil roubada todos os seus sonhos, quando ao invés de ir a escola, brincar, ter os pais dando assistências necessárias, pode deixar a situação vulneráveis para que ocorra violações de direitos das crianças e adolescentes.

De acordo com o ECA:“Art. 53. A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho …”

                                                                               (Jamile B. Cantalice)

Referencia:Disponível em: <https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10619550/artigo-4-da-lei-n-8069-de-13-de-julho-de-1990> Acessado em 30 de março de 2019.                                                                               

Infância e Direitos Humanos – reflexões preliminares!

Pensar a infância é uma tarefa desenvolvida por muitos campos de conhecimento, desde o da saúde até o da educação, passando por vários outros, como por exemplo, o dos Direitos Humanos – DH. Ora, este âmbito, no tocante a infância lança um olhar para a criança como um ser humano que merece um atenção especial, de forma que seja garantida a sua dignidade.

As lentes dos direitos humanos permitem enxergar que a criança precisa ter garantidas as condições para o seu desenvolvimento físico, intelectual e emocional, de forma que lhe seja proporcionada uma educação de qualidade, alimentação adequada e ambiente familiar regido por afeto e respeito.

O Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA lista uma série de direitos da criança. Mas questiona-se até que ponto os direitos lá elencados são garantidos? Neste contexto a sensibilidade dos DH se mostra fundamental para que sejam movidas lutas para que sejam garantidos tais direitos. Portanto, à luz dos Direitos Humanos, a infância é vista como uma fase expansiva ao desenvolvimento da criança em que deve prevalecer o aprender, o crescer, o criar e o brincar sob uma proteção carinhosa e comprometida com o futuro. Ademais, o conjunto dos comentários deste blog compõe um repertório que se complementa em uma teia reflexiva.

Jamile Cantalice

“Análise da Música Pais e Filhos sob as lentes dos Direitos Humanos”

BREVE HISTÓRICO DA CANÇÃO

Primeiramente é interessante discorrermos, mesmo que brevemente, de alguns aspecto históricos. No que diz respeito a banda, trata-se da Legião Urbana, uma da mais bem conceituadas banda de rock que o Brasil já teve, atuando entre os anos de 1982 e 1996. Já a música Pais e Filhos, que retrata principalmente o relacionamento entre pais e filho, foi um dos maiores sucessos que a banda teve. A letra da música foi inspirada e dedicada a uma amiga do vocalista Renato Russo, que havia se jogado do 5º andar de um prédio na cidade de Brasília sob conflito que sucedeu uma briga com os pais. Vale destacar ainda que duas partes da música ainda tiveram outras fontes inspirativas, a primeira   refere-se ao “nome de santo” que teria origem   no filho do cantor Renato, o Giuliano. A segunda refere-se às partes que dizem “sou a gota d’água… e É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã…” que foram retiradas de um livro chinês a que os autores da música tiveram acesso. Dito isto, faremos uma análise da música buscando perceber a questão da criança e do adolescente no contexto familiar, considerando alguns aspetos no que tange aos Direito humanos.

CONTEXTO ESPECÍFICO

Música: Pais e Filhos

Composição:  Dado Villa Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá

Intérprete: Legião Urbana

Ano de divulgação: 1989

Álbum: As quatro estações

Meio de divulgação: Youtube

Apresentação: Vocal

Gênero/Estilo: Música Popular Brasileira

Qual a temática da canção: Relacionamento entre “Pais e Filhos”

CONTEXTO GERAL

Performance –  Mediante o vídeo de análise do trabalho a performance é vocal.

Contexto – Uma menina se joga do 5° andar após brigar com seus pais, ou seja, é perceptível   vê na letra da canção o conflito entre a menina e seus pais. Onde a jovem mora com sua mãe e seu pai vai apenas

ANALISE DA LETRA DA CANÇÃO

Buscaremos analisar a canção Pais e Filhos, não em seu aspecto melódico, mas no que diz respeito à letra da canção. Para isso, consideraremos alguns aspectos, no contexto familiar, que é dotado do indivíduo nas diversas faixas etárias, a saber, crianças, adolescentes e adultos. Adentraremos ainda em questões ligadas aos papéis a serem desempenhados no âmbito familiar.  Traremos um olhar analítico que se fundamenta em preceitos ligados aos direitos humanos.

Sendo assim, por uma questão didática e hermenêutica, resolvemos decompor a totalidade da poesia em partes, de forma que melhor seja esclarecido acerca da nossa percepção de cada trecho. Estão presentes emoções, sentimentos, desejos em um contexto multicultural em que estão representadas individualidades e identidades.

Tomemos o trecho:

Estátuas e cofres
E paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada fácil de entender

As estátuas parecem fazer referência a seres inanimados que não percebem o que está acontecendo ao redor. Talvez pessoas que são vistas aparentemente, semelhante ao olhar para uma parede em que não se detecta mensagem alguma, além da aparência da tinta que esconde o seu interior. E os cofres apontam para tesouros escondidos, mas trancados, e assim como as pessoas, apenas se abrindo podem dar acesso aos seus tesouros. 

“Ninguém sabe o que aconteceu, ela se jogou do quinto andar”. Este trecho revela a deficiência no diálogo, pois a real motivação do suicídio não foi dividida com ninguém. E agora, nada fácil de entender. Teria faltado um olhar humano? Empatia? Afeto? Que direito foi negado que bloqueou a abertura dialógica? Muitas perguntas e poucas repostas, contudo, oportunidade de olhar o outro tentando perceber os contextos a partir do olhar dele, sendo sensível, a ponto de alcançá-lo onde ele se encontra estabelecendo uma relação de confiança despida de julgamentos baseados em estereótipos.

É necessário que o simples direito de ser respeitado seja observado, e respeitar tem ligação com olhar uma segunda vez, perceber a pessoa e o acontecimento por um prisma diferenciado. Ora, será que erramos para com esta adolescente (representada na música), sendo insensíveis aos seus conflitos e necessidades mesmo estando fisicamente tão próximos? Que a reflexão sobre letra da melodia impeça novos erros. Passemos para mais uma parte da letra musical:

Dorme agora
É só o vento lá fora
Quero colo
Vou fugir de casa
Posso dormir aqui
Com vocês?
Estou com medo tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três

Este trocadilho aponta para duas questões. A primeira, é a da criança que precisa dormir, mas se mostra com medo recorrendo ao aconchego dos pais no quarto deles. Isto se evidencia quando diz: Dorme agora, é só o vento lá fora, quero colo, Posso dormir aqui com vocês? Estou com medo tive um pesadelo”. Devido ao fato de ser criança, alguma sensibilidade dos pais parece permitir o aconchegar-se do filho.

A segunda questão é a que faz referência à outra fase, a adolescência, onde os grupos de afinidades ocupam espaços, sobretudo, as lacunas deixadas pelas falhas relacionais familiares. Ao dizer Vou fugir de casa, Só vou voltar depois das três fica evidenciado o conflito próprio da fase que precisa de especial atenção. É necessário um olhar movido por um laço afetivo dotado de sabedoria para que o adolescente se sinta parte da família, e esteja integrado a ela, evitando, assim, a vontade de fugir ou de deixar de existir. Na sequência temos a estrofe:

Meu filho vai ter
Nome de santo
Quero o nome mais bonito

Como algo natural em um ciclo, os papéis se invertem, de forma que os filhos passam a ser pais dos próprios filhos numa continuidade da vida, quando não é impedida por uma tragédia, como a já expressa no inicio da letra musical em questão. A chegada dos filhos, bebês, normalmente é aguardada com expectativa, e na medida do possível tudo é programado, inclusive os nomes são escolhidos, o que é retratado na musica quando diz Meu filho vai ter Nome de santo Quero o nome mais bonito”.  Já o refrão trata da importância de viver “o hoje” dando valor às pessoas e abrindo-se a elas, declarando os sentimentos. É preciso agir mais que pensar. Isto é expresso nas seguintes palavras:

É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Por que se você parar pra pensar
Na verdade não há

A letra música segue com questionamentos comuns em que as crianças pedem algumas explicações:

Me diz por que o céu é azul
Explica a grande fúria do mundo
São meus filhos que tomam conta de mim

Naturais de serem feitos, os pedidos de explicações da criança dizendo Me diz por que o céu é azul Explica a grande fúria do mundo, são contrastados com a inversão da realidade em que os pais passam a ser cuidados pelos filhos, que por sua vez passam a responder as perguntas dos pais tidos como crianças. Isso é inferido a partir passagem que diz São meus filhos que tomam conta de mim. Ora, tal questão pensada sob a ótica dos Direitos Humanos, implica em pensar na dignidade do idoso e nos seus direitos.

Neste contexto, até onde deve ir o papel dos filhos? E a constituição familiar preparou para o enfrentamento da inversão dos papeis entre indivíduos que antes vivenciaram o choque geracional? E qual configuração familiar é própria de cada pessoa? A estrofe abaixo aparenta expressar tal inquietação.

Eu moro com a minha mãe
Mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar
Já morei em tanta casa que nem me lembro mais
Eu moro com os meus pais

            Uma situação onde a família é formada por “filho e mãe, e o pai vem visitar” aparenta ser melhor do que a situação de quem “mora na rua e não tem ninguém” ou quem “mora em qualquer lugar”. E ainda mostra a família com pais e filhos morando juntos “eu moro com os meus pais”. Neste momento o refrão é retomado como um apelo para que e olhe para o excluído que está na rua sem o mínimo necessário a uma vida digna. Neste sentido, o olhar dos Direitos Humanos pode emergir como um socorro, conduzindo os que tudo têm a dar suporte aos que nada possuem. Afinal, É preciso amar as pessoas Como se não houvesse amanhã.

            E o que cada pessoa é, frente ao universo, parece reduzir-se ao efêmero e a consciência de que não se é o centro do universo. Isso é evidenciado em Sou uma gota d’água Sou um grão de areia. E na sequência, a estrofe segue com mais um trocadilho:


Você me diz que seus pais não lhe entendem
Mas você não entende seus pais
Você culpa seus pais por tudo
Isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer?

Está evidente o choque de gerações que parecem não se entender. Você me diz que seus pais não lhe entendem Mas você não entende seus pais. Depois do que os pais fizeram, mesmo que tenham errado, certamente buscaram o melhor para seus filhos e não devem ser culpados pelos fracassos deles. Você culpa seus pais por tudo, Isso é absurdo, São crianças como você”.

E, assim como os pais envelheceram se tornando crianças, os filhos devem amadurecer dando suporte aos pais. E aqui, os autores da música parecem fazer uma crítica pesada ao filho adulto, que culpa os pais se vitimizando, chamando-o de infantil ao dizer “O que você vai ser Quando você crescer? Ora, o que parece estar em jogo é a atenção devida aos pais.

Portanto, diante desta breve análise abre-se um leque de possibilidades voltadas a um olhar para o humano, o que é necessário a pais e a filhos, sejam estes crianças, adolescentes, jovens ou adultos. Imprescinde um olhar humano para a família de maneira que seus membros possam se portar sem negligenciar direito de ninguém no contexto afetivo deste laço. Afinal,“é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”!

REFERÊNCIAS:

Exibição e Análise de vídeo – (Canção Pais e Filhos). Disponível em:  <https://www.youtube.com/watch?v=sfixHYBWaiU&gt; Acessado em 26 de Fevereiro de 2019.

Breve Histórico da canção: Disponível em: <http://comosurgiuacancao.blogspot.com/2014/01/pais-e-filhos-da-banda-legiao-urbana.html > Acessado dia 26 de Fevereiro. Exibição e Análise de vídeo – Canção “Pais e Filhos” Disponível em:  <https://www.youtube.com/watch?v=sfixHYBWaiU&gt; Acessado em 26 de Fevereiro de 2019.

(Imagem do Google).  Disponível em: <https://www.google.com/search?q=foto+do+album+quatro+esta%C3%A7%C3%A3o&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwi41tmJuNngAhUr01kKHVWsB4sQ_AUIDygC&biw=1366&bih=576#imgrc=BIkG_yO7Xbp9dM:&gt; Acessado em 26 de fevereiro de 2019.