Blog destinado à produção de conteúdo referente à matéria de Direitos Humanos. Estão à frente desse projeto os discentes, do segundo período do curso de Direito da Universidade Federal da Paraíba, Cimário de Azevedo, Jamile Cantalice, Júlia Teixeira, Rebeca Alexandria, Rodrigo Belmont, Krislaine Kethlen da Silva Oliveira e Vitória Lima sendo mentoreados pelo docente Du Maranhão.
Tanitoluwa Adewumi, que mora com sua família em um abrigo na cidade de Nova York, passou de novato em xadrez a campeão de xadrez em pouco mais de um ano. Christopher Lee para o New York Times.
Este é Tanitoluwa Adewumi, uma criança de 8 anos que busca, juntamente com sua família, aprovação do governo norte-americano para permanecer em território estadunidense. Tudo começou com Tani, assim que chamam Tanitoluwa, e sua família fugindo da Nigéria, por perseguição do grupo terrorista Boko Haram, que são contra cristãos. Chegaram aos Estados Unidos em 2017, e desde então estavam vivendo em um abrigo. Ele iniciou sua jornada para o “milagre” em uma escola local, PS116, em que um professor investiu tempo em Tani e o ajudou a desenvolver sua capacidade em xadrez.
Acontece que, Tani venceu a competição de xadrez em Nova Yorque, passando à frente de crianças de escolas particulares, e até mesmo crianças com mais experiência. Cristopher Lee, colunista do jornal New York Times, escreveu uma matéria sobre Tani e sua conquista improvável. E diante da coluna exposta, vários leitores se dispuseram a doar dinheiro, casa, carro e até mobília para Tani e sua família, abrindo portas em território estadunidense. Mesmo diante de políticas extremas, houve uma esperança para Tani.
De acordo com a Declaração Universal dos Direitos da Criança, o princípio VII :
“A criança tem direito a receber educação escolar, a qual será gratuita e obrigatória, ao menos nas etapas elementares. Dar-se-á à criança uma educação que favoreça sua cultura geral e lhe permita – em condições de igualdade de oportunidades – desenvolver suas aptidões e sua individualidade, seu senso de responsabilidade social e moral. Chegando a ser um membro útil à sociedade.”
Ainda, a convenção sobre os Direitos da Criança, em seu artigo 22 º , parágrafo primeiro:
“Os Estados Partes tomam as medidas necessárias para que a criança que requeira o estatuto de refugiado ou que seja considerada refugiado, de harmonia com as normas e processos de direito internacional ou nacional aplicáveis, quer se encontre só, quer acompanhada de seus pais ou de qualquer outra pessoa, beneficie de adequada protecção e assistência humanitária, de forma a permitir o gozo dos direitos reconhecidos pela presente Convenção e outros instrumentos internacionais relativos aos direitos do homem ou de carácter humanitário, de que os referidos Estados sejam Partes. “
A história de Tani revela que há possibilidade de refugiados serem inseridos na cultura do país receptor, sem subjugá-los a trabalhos subumanos com cargas horárias abusivas. Dentro das oportunidades oferecidas a Tani, que facilitou sua adaptação e sua qualidade de vida. Crianças que, em diversas situações, enquanto refugiadas são apresentadas a cenários de calamidade, tem pouca chance de se desenvolverem socialmente, culturalmente e submetidas a viverem em regiões sem alimentação, sem saneamento básico, sem proteção. Violando, principalmente, o artigo 24º da mesma Convenção sobre os Direitos da Criança:
“Os Estados Partes reconhecem à criança o direito a gozar do melhor estado de saúde possível e a beneficiar de serviços médicos e de reeducação. Os Estados Partes velam pela garantia de que nenhuma criança seja privada do direito de acesso a tais serviços de saúde.”
O Estatuto da Criança e do
Adolescente foi criado através da Lei nº 8.069 de 13 de julho de 1990 e aborda
de maneira sistematizada os direitos referentes à criança e ao adolescente. A
proteção ao ser humano está definida desde o ventre materno, devendo ser
cobertos de proteção e cuidados pela família, sociedade e pelo governo.
No que tange ao
monitoramento desse Estatuto, tem-se a atuação do Congresso Nacional através de
um grupo organizado de senadores e deputados federais denominado Frente
Parlamentar em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente. Esse grupo tem
a função de alinhar as demandas da sociedade, tirar dúvidas ou possíveis erros
que possam ter no ECA. Além disso, essa Frente Parlamentar tem o direito e dever
de propor alterações para que a legislação permaneça atualizada e garantindo os
direitos das crianças e dos adolescentes de maneira cada vez mais eficaz.
Para o Estatuto, a criança é
a pessoa que tem até 12 anos de idade incompletos, o adolescente está na faixa
entre 12 e 18 anos e o adulto tem mais de 18 anos.
O ECA prevê que a criança e
o adolescente têm direito à vida, saúde, liberdade dignidade, ao respeito, à
convivência familiar e comunitária, alimentação, educação, ao esporte e lazer,
à profissionalização e cultura. Ainda de acordo com o Estatuto, crianças e
adolescentes têm prioridade no socorro em acidentes de trânsito, enchente,
incêndio, ou qualquer outra ocasião similar. Eles também possuem o direito de
ter um atendimento rápido em hospitais e postos de saúde e as crianças tem
prioridade na distribuição do dinheiro público, pois o governo tem que empregar
tais recursos observando, primeiramente, os projetos ligados à infância e
juventude.
É válido ressaltar que a Lei
nº 8.069 dispõe que nenhuma criança ou adolescente poderá sofrer negligência
(descuido, desatenção), exploração, discriminação, violência, humilhação ou
crueldade. É nítida a proibição de qualquer tipo de maus-tratos, e até aqueles
que não participam, mas têm conhecimento sobre alguma situação de judiação e
não denunciam, serão punidos.
No que concerne aos direitos
da infância, é possível verificar que pela lei, as gestantes devem ter uma boa
assistência médica na rede pública de saúde em todo período da gestação,
durante e após o parto. E, preferencialmente, sendo acompanhada pelo mesmo
médico. A lei ainda prevê que após o parto, os bebês devem possuir
identificação, ser examinados e permanecer ao lado das mamães (no mesmo quarto
do hospital), além de ter a garantia da amamentação, onde o governo e empresas
devem ofertar as condições necessárias para que o bebê possa amamentar de
maneira devida.
Ademais, se uma criança ou
adolescente adoecer e precisar se internar, os pais têm o direito de permanecer
o tempo todo ao lado do filho e o governo deve promover programas de prevenção
e campanhas de conscientização da sociedade sobre saúde, higiene e vacinação.
No quesito trabalho, o
Estatuto dispõe que a criança e o adolescente não podem trabalhar, com exceção daqueles
que possuem, no mínimo 14 anos e participem do projeto aprendiz legal, onde o
adolescente concilia estudos e trabalho com uma carga horária compatível com a
legislação pertinente, recebe bolsa (remuneração em dinheiro) e possui direitos
trabalhistas e previdenciários.
Por fim, ressalta-se que a
Lei nº 13.812/2019 altera em seu art. 14 o art. 83 da Lei nº 8.069, de 13 de
julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), passando a vigorar com as
seguintes alterações:
“Art.
83.
Nenhuma criança ou adolescente menor de 16 (dezesseis) anos poderá viajar
para fora da comarca onde reside desacompanhado dos pais ou dos responsáveis
sem expressa autorização judicial.
§1º …………………………………………………………………………………………….
a) tratar-se de
comarca contígua à da residência da criança ou do adolescente menor de 16
(dezesseis) anos, se na mesma unidade da Federação, ou incluída na mesma região
metropolitana;
b) a criança ou o
adolescente menor de 16 (dezesseis) anos estiver acompanhado:
…………………………………………………………………………………………………”
(NR).
Em qualquer caso de violação
dos direitos da infância e juventude, o Conselho Tutelar poderá ser acionado.
Esse Conselho está vinculado à prefeitura, é constituído por cidadãos da
comunidade e tem a função de assistir e proteger crianças e adolescentes que
possuem direitos acometidos, cobrando aos devidos responsáveis o atendimento
efetivo aos preceitos do ECA.
A
brincadeira tem uma forte influência no desenvolvimento na vida de cada
criança, trazendo benefícios em cada etapa dos pequeninos, pois através da
brincadeira ela aprende a experimentar as possibilidades que o mundo os
oferece. Como as relações sociais, desenvolve sua autonomia de ação de uma
determinada ação, e começa aprender a lidar com suas emoções.
Como
também o brincar ajuda no processo de aprendizagem da linguagem e de suas
habilidades motoras. É sabido que as brincadeiras em grupo leva a desenvolver
alguns princípios tais como: o da cooperação, competição e liderança.
Neste
contexto os pais nem sempre tem um conhecimento da importância da brincadeira
para sua prole Pois, nos dias atuais ainda se tem uma ideia arcaica que brincar
é apenas uma maneira de deixar os filhos ocupados.
O brincar
é um direito garantido pela Constituição Federal, conforme preceitua o“artigo 227 É dever da família, da sociedade e do
Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade,
o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à
convivência familiar e comunitária.” Como também está previsto no ECA – Lei nº
8.069 de 13 de Julho de 1990, no Art. 16,
inciso IV – brincar, praticar esportes e divertir-se.
E
por fim, a utilização de jogos por parte das crianças ajuda
elas ter uma percepção do mundo a sua volta, tendo como objetivo aprender
regras, desenvolver suas habilidades físicas tais como correr e pular, e
aprender lidar em saber ganhar e perder. Além disso, ocorre o desenvolvimento
da aprendizagem da linguagem, as brincadeiras em grupo ensina as crianças a
competir, obedecer regras e cooperação, etc. Podemos dizer que o brinquedo pode
ser um tipo de linguagem utilizadas pelas crianças.
A
exploração e tráficos de crianças e adolescestes tem se tornado vítimas
vulneráveis, muitas vezes por falta de informação, ás vezes por necessidades
devido ao meio que vivem, como também por sua fragilidade, ou até mesmo são
enganadas que terão uma vida melhor através da exploração em outros países.
Assim
torna alvos do tráfico de pessoas, ainda não há dados exatos da quantidade de
crianças e adolescentes vítimas desse tipo de exploração ou trafico. A Lei nº
8.069 de 13 de Julho de 1990, conforme preceitua no “artigo 239. Promover ou auxiliar a efetivação de
ato destinado ao envio de criança ou adolescente para o exterior com
inobservância das formalidades legais ou com o fito de obter lucro:
Pena
– reclusão de quatro a seis anos, e multa.
Parágrafo
único. Se há emprego de violência, grave ameaça ou fraude: (Incluído pela Lei
nº 10.764, de 12.11.2003)
Pena
– reclusão, de 6 (seis) a 8 (oito) anos, além da pena correspondente à
violência.
É de
suma importância que haja a prevenção desse tipo de exploração, para que novos
casos não venha ocorrer, a sociedade em geral deve cobrar aos governantes para
que criem leis mais severas contra qualquer tipo de exploração infantil, onde
essa atividade é considerada uma das piores formas de trabalho realizadas pelas
crianças ou adolescentes. Em consonância a Lei nº
8.069 de 13 de Julho de 1990, em seu artigo “244-A.Submeter criança ou adolescente, como tais
definidos no caput do art. 2o desta Lei, à prostituição ou à exploração sexual:
(Incluído pela Lei nº 9.975, de 23.6.2000).”
Pena
– reclusão de quatro a dez anos, e multa.
Pena
– reclusão de quatro a dez anos e multa, além da perda de bens e valores
utilizados na prática criminosa em favor do Fundo dos Direitos da Criança e do
Adolescente da unidade da Federação (Estado ou Distrito Federal) em que foi
cometido o crime, ressalvado o direito de terceiro de boa-fé. (Redação dada
pela Lei nº 13.440, de 2017)
§
1o Incorrem nas mesmas penas o proprietário, o gerente ou o responsável pelo
local em que se verifique a submissão de criança ou adolescente às práticas
referidas no caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.975, de 23.6.2000)
§
2o Constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de
localização e de funcionamento do estabelecimento. (Incluído pela Lei nº 9.975,
de 23.6.2000).
Logo, as vítimas desse crime, desenvolvem graves sequelas tanto físicas, psicológicas, econômicas e sociais. Essa referida pratica é uma das mais graves violações aos Direitos Humanos, bem como é reconhecida como uma das piores formas de trabalho infantil.
Através
das atividades como a arte permite que as crianças possa expressar como por
exemplo suas emoções e sentimentos. E essas expressões podem ser manifestadas
de formas diferentes, por crianças diferentes, assim cada uma desenvolve suas
habilidades e talentos específicos.
É
que chamamos dons artísticos que será expressado através de pinturas, desenhos,
músicas, danças dentre outras, que propicia desde cedo para os pequenos, ainda
em sua infância, e esse talento ajuda no desenvolvimento da criança no aprimoramento de suas atividades e
habilidades, etc.
Entretanto,
é de suma importância o ensino da arte para o desenvolvimento infantil, pois
reflete tanto na história como na cultura vivenciada pelas crianças, onde elas expressam esse universo
infantil de forma natural, desenhando os momentos de sua vida, mesmo que tenha
pouca experiências.A arte tem com
funções de:
Diante da pergunta abordada o trabalho infantil é realizada por crianças e adolescentes,
que por sua vez não possui a idade e nem tem aptidão para realização de tal
serviço, conforme a legislação brasileira.
Entretanto no Brasil, como regra geral esse tipo de trabalho é proibido para jovens que ainda não tenha 16 anos. Se o trabalho for na condição de jovem aprendiz, neste caso será permitido. Quando o trabalho é noturno, seja perigoso, insalubre a atividade é proibição é estendida para os jovens de 18 anos incompletos.
Para
o Estatuto da Criança e do Adolescente o trabalho infantil é: Art.
4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público
assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à
vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à
convivência familiar e comunitária.
Portanto, quando uma criança trabalha a mesma perde seus direitos de brincar, estudar e aprender, como também diminui seu tempo de convivência com seus pais. Esse trabalho infantil roubada todos os seus sonhos, quando ao invés de ir a escola, brincar, ter os pais dando assistências necessárias, pode deixar a situação vulneráveis para que ocorra violações de direitos das crianças e adolescentes.
De acordo com o ECA:“Art.
53. A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno
desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e
qualificação para o trabalho …”
Pensar
a infância é uma tarefa desenvolvida por muitos campos de conhecimento, desde o
da saúde até o da educação, passando por vários outros, como por exemplo, o dos
Direitos Humanos – DH. Ora, este âmbito, no tocante a infância lança um olhar
para a criança como um ser humano que merece um atenção especial, de forma que
seja garantida a sua dignidade.
As
lentes dos direitos humanos permitem enxergar que a criança precisa ter
garantidas as condições para o seu desenvolvimento físico, intelectual e emocional,
de forma que lhe seja proporcionada uma educação de qualidade, alimentação
adequada e ambiente familiar regido por afeto e respeito.
O Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA lista uma série de direitos da criança. Mas questiona-se até que ponto os direitos lá elencados são garantidos? Neste contexto a sensibilidade dos DH se mostra fundamental para que sejam movidas lutas para que sejam garantidos tais direitos. Portanto, à luz dos Direitos Humanos, a infância é vista como uma fase expansiva ao desenvolvimento da criança em que deve prevalecer o aprender, o crescer, o criar e o brincar sob uma proteção carinhosa e comprometida com o futuro. Ademais, o conjunto dos comentários deste blog compõe um repertório que se complementa em uma teia reflexiva.
Primeiramente é interessante discorrermos, mesmo que brevemente, de alguns aspecto históricos. No que diz respeito a banda, trata-se da Legião Urbana, uma da mais bem conceituadas banda de rock que o Brasil já teve, atuando entre os anos de 1982 e 1996. Já a música Pais e Filhos, que retrata principalmente o relacionamento entre pais e filho, foi um dos maiores sucessos que a banda teve. A letra da música foi inspirada e dedicada a uma amiga do vocalista Renato Russo, que havia se jogado do 5º andar de um prédio na cidade de Brasília sob conflito que sucedeu uma briga com os pais. Vale destacar ainda que duas partes da música ainda tiveram outras fontes inspirativas, a primeira refere-se ao “nome de santo” que teria origem no filho do cantor Renato, o Giuliano. A segunda refere-se às partes que dizem “sou a gota d’água… e É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã…” que foram retiradas de um livro chinês a que os autores da música tiveram acesso. Dito isto, faremos uma análise da música buscando perceber a questão da criança e do adolescente no contexto familiar, considerando alguns aspetos no que tange aos Direito humanos.
CONTEXTO
ESPECÍFICO
Música:
Pais e Filhos
Composição: Dado Villa Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá
Intérprete: Legião
Urbana
Ano
de divulgação: 1989
Álbum: As
quatro estações
Meio
de divulgação: Youtube
Apresentação:
Vocal
Gênero/Estilo: Música
Popular Brasileira
Qual a temática da canção: Relacionamento entre “Pais e Filhos”
CONTEXTO GERAL
Performance – Mediante o vídeo de análise do trabalho a performance é vocal.
Contexto – Uma menina se joga do 5° andar após brigar com seus pais, ou seja, é perceptível vê na letra da canção o conflito entre a menina e seus pais. Onde a jovem mora com sua mãe e seu pai vai apenas
ANALISE DA LETRA DA CANÇÃO
Buscaremos
analisar a canção Pais e Filhos, não em seu aspecto melódico, mas no que diz respeito
à letra da canção. Para isso, consideraremos alguns aspectos, no contexto
familiar, que é dotado do indivíduo nas diversas faixas etárias, a saber,
crianças, adolescentes e adultos. Adentraremos ainda em questões ligadas aos
papéis a serem desempenhados no âmbito familiar. Traremos um olhar analítico que se fundamenta
em preceitos ligados aos direitos humanos.
Sendo
assim, por uma questão didática e hermenêutica, resolvemos decompor a
totalidade da poesia em partes, de forma que melhor seja esclarecido acerca da
nossa percepção de cada trecho. Estão presentes emoções, sentimentos, desejos
em um contexto multicultural em que estão representadas individualidades e
identidades.
Tomemos o trecho:
Estátuas e cofres
E paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada fácil de entender
As
estátuas parecem fazer referência a seres inanimados que não percebem o que
está acontecendo ao redor. Talvez pessoas que são vistas aparentemente,
semelhante ao olhar para uma parede em que não se detecta mensagem alguma, além
da aparência da tinta que esconde o seu interior. E os cofres apontam para
tesouros escondidos, mas trancados, e assim como as pessoas, apenas se abrindo
podem dar acesso aos seus tesouros.
“Ninguém
sabe o que aconteceu, ela se jogou do quinto andar”.
Este trecho revela a deficiência no diálogo, pois a real motivação do suicídio
não foi dividida com ninguém. E agora, nada
fácil de entender. Teria faltado um olhar humano? Empatia? Afeto? Que
direito foi negado que bloqueou a abertura dialógica? Muitas perguntas e poucas
repostas, contudo, oportunidade de olhar o outro tentando perceber os contextos
a partir do olhar dele, sendo sensível, a ponto de alcançá-lo onde ele se
encontra estabelecendo uma relação de confiança despida de julgamentos baseados
em estereótipos.
É
necessário que o simples direito de ser respeitado seja observado, e respeitar
tem ligação com olhar uma segunda vez, perceber a pessoa e o acontecimento por
um prisma diferenciado. Ora, será que erramos para com esta adolescente
(representada na música), sendo insensíveis aos seus conflitos e necessidades
mesmo estando fisicamente tão próximos? Que a reflexão sobre letra da melodia
impeça novos erros. Passemos para mais uma parte da letra musical:
Dorme agora
É só o vento lá fora
Quero colo
Vou fugir de casa
Posso dormir aqui
Com vocês?
Estou com medo tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três
Este trocadilho aponta para duas questões. A
primeira, é a da criança que precisa dormir, mas se mostra com medo recorrendo
ao aconchego dos pais no quarto deles. Isto se evidencia quando diz: “Dorme agora, é só o vento lá fora, quero
colo, Posso dormir aqui com vocês? Estou com medo tive um pesadelo”. Devido ao fato de
ser criança, alguma sensibilidade dos pais parece permitir o aconchegar-se do
filho.
A segunda questão é a que faz
referência à outra fase, a adolescência, onde os grupos de afinidades ocupam
espaços, sobretudo, as lacunas deixadas pelas falhas relacionais familiares. Ao
dizer “Vou fugir de casa, Só vou voltar depois das três” fica
evidenciado o conflito próprio da fase que precisa de especial atenção. É
necessário um olhar movido por um laço afetivo dotado de sabedoria para que o
adolescente se sinta parte da família, e esteja integrado a ela, evitando,
assim, a vontade de fugir ou de deixar de existir. Na sequência temos a
estrofe:
Meu filho vai ter
Nome de santo
Quero o nome mais bonito
Como algo natural em um ciclo, os
papéis se invertem, de forma que os filhos passam a ser pais dos próprios
filhos numa continuidade da vida, quando não é impedida por uma tragédia, como
a já expressa no inicio da letra musical em questão. A chegada dos filhos,
bebês, normalmente é aguardada com expectativa, e na medida do possível tudo é
programado, inclusive os nomes são escolhidos, o que é retratado na musica
quando diz “Meu filho vai ter Nome de santo Quero o nome mais bonito”. Já o refrão trata da importância de viver “o
hoje” dando valor às pessoas e abrindo-se a elas, declarando os sentimentos. É
preciso agir mais que pensar. Isto é expresso nas seguintes palavras:
É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Por que se você parar pra pensar
Na verdade não há
A letra música segue com
questionamentos comuns em que as crianças pedem algumas explicações:
Me diz por que o céu é azul
Explica a grande fúria do mundo
São meus filhos que tomam conta de mim
Naturais de serem feitos, os pedidos
de explicações da criança dizendo “Me diz por que o céu é azul Explica a grande
fúria do mundo”, são contrastados com a inversão da realidade em que os
pais passam a ser cuidados pelos filhos, que por sua vez passam a responder as
perguntas dos pais tidos como crianças. Isso é inferido a partir passagem que
diz “São
meus filhos que tomam conta de mim”. Ora, tal questão pensada sob a
ótica dos Direitos Humanos, implica em pensar na dignidade do idoso e nos seus
direitos.
Neste contexto, até onde deve ir o
papel dos filhos? E a constituição familiar preparou para o enfrentamento da
inversão dos papeis entre indivíduos que antes vivenciaram o choque geracional?
E qual configuração familiar é própria de cada pessoa? A estrofe abaixo
aparenta expressar tal inquietação.
Eu moro com a minha mãe
Mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar
Já morei em tanta casa que nem me lembro mais
Eu moro com os meus pais
Uma situação onde a
família é formada por “filho e mãe, e o
pai vem visitar” aparenta ser melhor do que a situação de quem “mora na rua e não tem ninguém” ou quem “mora em qualquer lugar”. E ainda mostra
a família com pais e filhos morando juntos “eu
moro com os meus pais”. Neste momento o refrão é retomado como um apelo
para que e olhe para o excluído que está na rua sem o mínimo necessário a uma
vida digna. Neste sentido, o olhar dos Direitos Humanos pode emergir como um
socorro, conduzindo os que tudo têm a dar suporte aos que nada possuem. Afinal,
“É
preciso amar as pessoas Como se não houvesse amanhã”.
E o que cada pessoa é,
frente ao universo, parece reduzir-se ao efêmero e a consciência de que não se
é o centro do universo. Isso é evidenciado em “Sou uma gota d’água Sou um grão
de areia”. E na sequência, a estrofe segue com mais um trocadilho:
Você
me diz que seus pais não lhe entendem
Mas você não entende seus pais
Você culpa seus pais por tudo
Isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer?
Está evidente o choque de gerações
que parecem não se entender. “Você me diz que seus pais não lhe entendem
Mas você não entende seus pais”. Depois do que os pais fizeram, mesmo
que tenham errado, certamente buscaram o melhor para seus filhos e não devem
ser culpados pelos fracassos deles. “Você culpa seus pais por tudo, Isso é absurdo,
São crianças como você”.
E, assim como os pais envelheceram se
tornando crianças, os filhos devem amadurecer dando suporte aos pais. E aqui,
os autores da música parecem fazer uma crítica pesada ao filho adulto, que
culpa os pais se vitimizando, chamando-o de infantil ao dizer “O que
você vai ser Quando você crescer?” Ora, o que parece estar em jogo é a
atenção devida aos pais.
Portanto, diante desta breve análise abre-se
um leque de possibilidades voltadas a um olhar para o humano, o que é
necessário a pais e a filhos, sejam estes crianças, adolescentes, jovens ou
adultos. Imprescinde um olhar humano para a família de maneira que seus membros
possam se portar sem negligenciar direito de ninguém no contexto afetivo deste
laço. Afinal,“é preciso amar as
pessoas como se não houvesse amanhã”!
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