BRASIL E O TRABALHO INFANTIL

A Constituição Federal de 1988 foi um grande marco para o reconhecimento dos direitos das crianças e dos adolescentes. É inquestionável o quanto a nossa legislação avançou na caracterização deles como sujeitos de direitos. Todavia, é lastimável ressaltar que, mesmo com tantos avanços jurídicos, o trabalho infantil ainda existe em nosso país.

É válido salientar que a exploração do trabalho infantil é uma realidade em todo mundo, entretanto, mas comumente em países subdesenvolvidos. Além do mais, comparando o histórico dessa prática com os dias atuais, nota-se uma evolução nítida, embora insuficiente para alcançarmos os melhores índices de incidência.

Um exemplo de tais fatos encontra-se no site “Estadão”, onde Pretti (2018) afirma:

“No dia mundial contra o trabalho infantil, a ONU divulga um dado alarmante: 168 milhões de crianças estão trabalhando enquanto deveriam estar na escola. Dessas,120 milhões têm entre 5 e 14 anos e 5 milhões estão em condições semelhantes à escravidão.”

Informação, literalmente, preocupante, uma vez que os mecanismos de coibição não estão atingindo o seu devido papel.

Ao analisar esse dado, chega-se à conclusão que o trabalho infantil está ao nosso redor e, por muitas vezes, não reparamos. São crianças nas ruas vendendo balas, limpando os para-brisas dos carros nos sinais, vigiando automóveis nos estacionamentos da cidade, no meio das feiras livres, oferecendo serviços com carrinho de mão para levar suas compras, em cemitérios, fazendo a limpeza dos túmulos, em lixões, no processo de catação, ou até mesmo trabalhando na agricultura.

Logo, no que se refere à metodologia empregada para a combater tais práticas, é possível verificar que o foco na lei seca não está sendo suficiente, pois a exploração do trabalho infantil persiste. É necessário que haja um maior engajamento social através de políticas públicas, incluindo parcerias com vários segmentos institucionais, ONGs, os poderes públicos e dirigentes, com o intuito de promover uma vida digna ao futuro da nação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

“O Brasil e o trabalho infantil” Disponível em: <https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/o-brasil-e-o-trabalho-infantil/>. Acessado em: 05 de abril de 2019.

(IMAGEM). Disponível em: <http://www.mobilizadores.org.br/noticias/por-que-o-brasil-ainda-nao-conseguiu-erradicar-o-trabalho-infantil/>. Acessado em 05 de abril de 2019.

Krislaine Oliveira

“Está tudo bem ser o que você quer ser, se for isso que você quer.” – Pequena Miss Sunshine

Pequena Miss Sunshine.

Lançado em 2006, sob direção de Valeris Faris e Jonathan Dayton, nos Estados Unidos. Esse filme fala sobre a história de Oliver (Abigail Breslin), uma pré-adolescente que foge dos padrões socialmente estabelecidos. Ela é acima do peso, tem hábitos que são considerados “masculinos”, seu modo de vestir também está aquém do habitual, sua família está abaixo do padrão financeiro e do padrão estrutural emocional.

Mas Olive tem o sonho de participar do concurso de beleza para pré-adolescentes, Miss Shunshine, que dá o nome ao filme. Os concursos de beleza, nos Estados Unidos, são eventos que conservam os padrões de beleza, criam uma bolha social e estimulam o sentimento de superioridade X inferioridade, que vai desde as crianças à fase adulta.

Durante a jornada da sua casa até a cidade onde acontecerá o evento, Olive sente-se várias vezes desestimulada por não se considerar digna de encaixar-se nos padrões das outras meninas, e precisa que constantemente seus familiares a afirmem enquanto menina e sua beleza.

O Art. 17. da LEI Nº 8.069 do CPC, diz:


“O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais.”

Olive provando a sua roupa do desfile.

O bullying é comumente praticado entre as crianças e adolescentes, colocando em risco a integridade física e emocional da vítima. Muitas crianças crescem em meios hostis, por não se encaixarem em determinado padrão, por não possuírem bens materiais ou até mesmo por terem alguma deficiência. Tal prática marca as vidas pessoais dessas crianças em níveis diferentes e tem marcas que seguem até afetando a vida adulta de algumas.

Esse filme retrata o confronto direto com os paradigmas sociais, com os preconceitos. Como Olive conseguiu chegar até ao concurso, sendo em si uma vitória, por vencer o medo de ser envergonhada ou desprezada diante da sua aparência. Mas, isso só foi plenamente possível pois sua família esteve ao seu lado, a sustentando emocionalmente quando ela se sentia inferior ou incapaz. Revela a importância da família na formação e conquistas ao longo da vida, mesmo sendo uma família com problemas internos, mas que buscam juntos alcançar essa conquista para Olive.

O Art. 19., da mesma lei ( LEI Nº 8.069 do CPC ) diz:


“É direito da criança e do adolescente ser criado e educado no seio de sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente que garanta seu desenvolvimento integral.  “

  Um ambiente que permita a criança conhecer a si mesma, a desenvolver seus sonhos e objetivos, sem a pressão social externa, e também interna. No final, Olive consegue muito mais do que apenas ir ao concurso de beleza, mas conseguiu vencer barreiras internas, que foram construídas por ideias externas a si.

REFERÊNCIAS:

http://www.adorocinema.com/filmes/filme-109815/

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8069.htm

Vitória Lima L. Cavalcanti

A animação, Koe no Katachi, e a violência sistemática a crianças com deficiência auditiva

Shouko Nishimiya apresentando-se diante sua turma,tentando estabelecer sua primeira comunicação diante da classe.

Koe no Katachi (A Silent Voice) é um filme do gênero Animação, produzido em 2017,no Japão.No filme, é retratada a violência sistemática sofrida por Shouko Nishimiya, na infância, devido a sua deficiência auditiva, de uma forma verossímil e comovente.

No início da obra, Nishimiya chega à classe, apresenta-se e mostra a seus colegas de turma que gostaria de fazer amigos na classe, estabelecendo uma comunicação com o uso de um caderno. No começo do enredo, a maioria dos alunos da sala tenta se comunicar com Nishimiya e ajudam-na a acompanhar os conteúdos dados em sala.Porém, as diferenças entre a menina e os demais estudantes se tornam, cada vez mais, evidentes.

Em um momento do filme, o professor critica a leitura do texto realizada por uma criança e elogia a leitura dificultosa feita por Nishimya. Em seguida, Shoya Ishida,seu colega de turma, “imita” a fala da garota e todos riem dela.Posteriormente, uma das professoras propõe que os estudantes aprendam a língua de sinais para que melhor integrem a menina à turma, porém, a maior parte dos alunos da classe recusa a comunicar-se por meio dos sinais, afirmam que , para eles,é mais simples através do caderno de Shouko. A estudante passa a sofrer constantes abusos, principalmente, por parte de seu colega Ishida,o garoto a ofende ,constantemente, e de acordo com a narrativa, “danifica 8 aparelhos auditivos de Nishimiya em 5 meses”.Os casos de “bullying” sofridos por ela tornam-se mais repetitivos e ela decide se transferir para outra escola.

À luz dos Direitos Humanos, em situações análogas as da ficção, os funcionários da escola e os colegas deveriam ter empatia perante o sofrimento da vítima e coibir a prática de bullying. No filme, fica evidente que um dos professores reconhece Ishida como um agressor, porém, ele não pune o garoto disciplinarmente ou dialoga com os responsáveis do aluno.Por isso os casos de bullying são bastante recorrentes,principalmente,devido à omissão da escola.Assim, em casos concretos de bullying contra crianças surdas é papel da escola realizar atividades e projetos que incentivem a colaboração em grupo para que os estudantes melhor interajam entre si e respeitem as diferenças.

Referências: Disponível em: < https://www.adorocinema.com/filmes/filme-254955/ > Acessado em 03 de abril de 2019.

(Imagem). Disponível em: < https://otaku-sweet.blogspot.com/2017/08/koe-no-katachi-filme.html > Acessado em 03 de abril de 2019.

Disponível em: < https://gestaoescolar.org.br/conteudo/1974/como-combater-o-bullying-na-escola > Acessado em 03 de abril de 2019.





Rebeca Alexandria

Empoderamento de Crianças Negras

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Hoje não são poucos na internet os vídeos de crianças negras que passaram a enxergar beleza em seus cabelos crespos ou cacheados e aceitá-los da forma como são, sem nenhum interesse em submeterem-se a tratamentos capilares irreparáveis que só reforçam estereótipos preconceituosos e racistas, além de determinarem o que seria considerado “padrão de beleza”. Tal movimento recente é denominado como “Empoderamento de Crianças Negras” onde busca-se trabalhar inicialmente a auto aceitação e autoestima dos pequenos em forma de brincadeiras e diálogos, com conscientização sobre a cultura afro e suas raízes.

Movimentos sociais como esse são de extrema importância para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, no entanto, não nos deve passar despercebido que sua aplicação e necessidade nos dias atuais, é reflexo de uma sociedade em que a democracia racial ainda é um mito, onde atividades como essas, embora de cunho didático, ainda precisam ser realizadas com crianças negras, numa tentativa de impedir que tais indivíduos levem traumas de infância para suas vidas adultas.

De acordo com a diretora-presidente do Instituto AMMA Psique e Negritude, Maria Lúcia da Silva, entre 8 meses e 3 anos de idade, o ser humano começa a notar as diferenças físicas entre ele e os outros. Segundo a diretora: “… nesse período, é fundamental que ele se sinta aceito, acolhido e valorizado nessas diferenças”; Logo, “esse poderá ser o início do conflito que o bebê ou a criança irá travar com seu corpo com base nas representações negativas que a sociedade tem e que se manifestam através de toques, olhares, chacotas, apelidos e imagens depreciativas”.

De antemão, a presente publicação não tem como objetivo inicial “revelar” que a sociedade brasileira seria preconceituosa e racista, pois isso facilmente pode ser constatado através de uma simples busca na internet, mas ressaltar que o movimento de empoderamento negro infantil no sentido de coletividade, relaciona-se diretamente ao  respeito às garantias constitucionais, numa perspectiva antirracista, antielitista, refletindo assim uma mudança das  instituições socias pré-estabelecidas. O fato de crianças negras, hoje sentirem-se representadas ao verem heróis negros em filmes de grandes bilheterias, cosméticos especialmente destinados às suas particularidades, além de assistirem seus semelhantes nos mais diversos meios de comunicação atualmente, a saber, canais no youtube, perfis no instagram e seriados infantis. Os tornam, potenciais defensores dos caros direitos adquiridos pelo seu povo ao longo das décadas e em especial após a Constituição Federal de 1988, assim como disseminadores de uma cultura que só agrega na vida dos ouvintes.

Por Júlia Teixeira

Seu Imposto Pode Render Sorrisos

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Visando a possibilidade de uma parte do seu imposto de renda ser destinado para diversos fundos de amparo social, a Receita Federal lançou uma campanha com esse intuito. A campanha “DestinAção”, visa a divulgação da possibilidade de destinar parte do seu imposto de renda para programas como por exemplo o Fundo da Criança e do a Adolescente (FIA), visando melhorar a infraestrutura desses lugares e consequentemente de quem precisa deles. Diante disso, é importante ressaltar que o contribuinte não pagará nenhuma quantia a mais para fazer essa doação, apenas permitirá que parte do seu imposto seja destinado a entidades e fundos que tenham previsão legal, ao invés de ir para o Tesouro Nacional, com o intuito de ajudar varias pessoas que previsão dessas fundações.  

Diante do exposto, podemos analisar o quanto essa ação interfere de forma benéfica as fundações, o que melhora a qualidade de vida das pessoas que precisam de um amparo dessas instituições, como também melhora a aplicabilidade dos direito humanos. Desse modo, percebemos que ações como estas interferem diretamente nas oportunidades que crianças e adolescentes, que vivem com esses recursos, podem ter, melhorando a qualidade de vida por meio da pratica de atividades educacionais, artísticas e culturais.  

Diante disso, a prefeitura municipal de João Pessoa também teve a iniciativa de ajudar crianças e adolescentes que precisam de fundações para ter uma vida mais digna e, lançou a campanha “Seu Imposto Pode Render Sorrisos”. Essa campanha visa principalmente conscientizar e sensibilizar o contribuinte para a doação de 3% do valor pago pelo imposto de renda declarado a Receita Federal, sendo o valor destinado ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (FMDCA), servindo para beneficiar crianças e adolescentes atendidos por entidades governamentais e não governamentais.

                                                                                                                 Por Júlia Teixeira

Acolhimento de crianças e adolescentes no Vale do Gramame

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Foto/Reprodução: Acervo do projeto

Por Júlia Teixeira

A Escola Viva Olho do Tempo surgiu em 2004, com a necessidade de oferecer, à juventude residente no entorno do rio Gramame, atividades culturais e oficinas por meio de ações compartilhadas de cultura, meio ambiente e tecnologia digital.

A iniciativa é credenciada pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e recebe auxílio financeiro de entidades privadas como o Itaú Cultural e Criança Esperança. A sua construção foi tecida em torno de dois focos: a preservação dos olhos d’agua (08 nascentes) e atender, pontualmente, as crianças e adolescentes do entorno. Desta maneira, as ações realizadas pela escola são pautadas pela religação dos moradores da região aos seus valores culturais pautados em seu tradicional modo de viver e seu contato permanente com a natureza.

O trabalho é organizado pela mestra Doci, que ajuda os jovens da instituição a resgatar seus valores com um trabalho de empoderamento e cultural através de aulas de música, dança, esporte, percussão, leitura, memória, informática, teatro e projetos de ecoturismo, estação digital, museu, reflorestamento, ‘Caminhada de São José’ e o São João Rural.

A Olho do Tempo atende prioritariamente 130 crianças e adolescentes de 06 a 17 anos, moradores das oitos (08) comunidades urbana, rurais, semi-rurais e quilombola do Vale do Gramame/PB, a mesma, possui uma história que remonta as experiências educacionais com base na pedagogia Griô, Educação Popular e Holística. Diante disso, percebemos que ações como essas visam uma maior aplicabilidade dos direitos humanos na sociedade em que estamos, onde muitas vezes o preconceito toma conta e deixamos de lado os direitos fundamentais.

Dança Inclusiva

No Brasil existe a Lei de Inclusão de Pessoas com Deficiência, nº 13.146/2015, também chamada de Estatuto da Pessoa com Deficiência, essa lei traz vários direitos das pessoas portadoras de necessidades especiais, tratando de questões como educação, saúde, moradia e trabalho. Porém, mesmo com essa lei no ordenamento jurídico brasileiro  , o preconceito e a descriminação ainda são barreiras enfrentadas diariamente pelas pessoas especiais, distanciando-as de uma vida igualitária e sem preconceitos.

Diante disso, e visando proporcionar uma maior inclusão para as pessoas com deficiências, uma escola de dança vem desenvolvendo um trabalho de inclusão social para a população cadeirante em Brasília. O Instituto Avivarte busca por meio da dança melhorar o convívio social de pessoas com necessidades especiais.

O Instituto Avivarte foi fundado em 2006 por Janaires Pires Mendes, onde oferece aulas gratuitas aos cadeirantes e familiares. O projeto nasceu quando Janaires procurou uma atividade física para ajudar em um problema de saúde dela, foi ai que ela percebeu a escassez de programas sociais que viabilizam a inclusão de pessoas com necessidades especiais, como também o quanto a dança pode trazer prazer e benefícios ao corpo e mente. Diante dessa experiência, ela começou com um pequeno grupo de dança para crianças e idosos em uma igreja, porém o resultado foi tão satisfatório que ela decidiu criar o instituto. O Instituto Avivarte traz como lema principal “Dança, Arte e Cidadania”, oferecendo aulas de dança para todo tipo de publico, andante e cadeirante, com diversos estilos musicais. O principal papel do instituto é proporcionar, especialmente, aos cadeirantes uma maior inclusão social. .

A dança foi algo que me fez tão bem quando eu precisei que me faz querer repassar isso a quem precisa também, por isso não cobro pelas aulas dos deficientes”, diz Jane e completa: “os benefícios não são apenas para os cadeirantes, é para a família toda”.

Dentre os integrantes do Instituto Avivarte, uma delas é Ana Luíza, uma criança de apenas oito anos, que a partir da dança descobriu sua nova paixão e uma maneira de socializar com as outras pessoas, contagiando todos que estão por perto com sua felicidade por estar dançando. Diante disso, percebemos como as atividades inclusivas são importantes para o crescimento e amadurecimento da criança e dos demais entes da sociedade, por isso, devemos cada vez mais buscar politicas publicas que viabilizem uma igualdade de direitos, principalmente no que tange os direitos fundamentais de igualdade.

Por Júlia Teixeira

Análise do filme “Moonlight” sob as perspectivas dos Direitos Humanos!

  1. Histórico sobre o filme: Moonlight

            Este trabalho tem o escopo de analisar o filme, Moonlight, sobre a perspectiva dos direitos humanos nas fases na vida, como infância, adolescência e fase adulta, ambos entrelaçados com a realidade apresentada pela obra cinematográfica, dando aso à discussões que rodeiam nosso cotidiano e perfazem uma vida truculenta, com as mais variáveis maneiras de isolamento de classes vulneráveis a sociedade.

            Em primeira vista, faz-se necessário uma explanação sobre o que trata a obra, pois trata-se um drama estadunidense, desenvolvido em 2016 e dirigido por Barry Jenkins e escrito por Jenkins e Tarell Alvin McCraney, baseado na peça inédita In Moonlight Black Boys Look Blue de McCraney[1]. A produção é composta por Trevante Rhodes, André Holland, Janelle Monáe, Ashton Sanders, Jharrel Jerome, Naomie Harris e Mahershala Ali, onde narra as etapas da vida de Chiron, o protagonista do drama, retratando as dificuldades que ele enfrenta no reconhecimento da sua própria sexualidade e na busca do autoconhecimento, bem como os abusos físicos e emocionais que lhe são bombardeados ao longo da sua trajetória. Foi filmado em Miami, na Flórida, em 2015, onde estreou no Festival de Cinema de Telluride em 2 de setembro de 2016. Distribuído pela A24, o filme foi lançado nos Estados Unidos em 21 de outubro de 2016[2], onde foi arrecado cerca de 28 milhões de dólares em todo o mundo.

            O filme também se tornou o primeiro longa-metragem com um elenco todo de negros, o primeiro filme de temática LGBT e o segundo filme de menor bilheteria americana (atrás de The Hurt Locket) a ganhar o prêmio de Melhor Filme. A editora do filme, Joi McMillon, tornou-se a primeira mulher negra a ser nomeada para um Oscar de edição (juntamente com o coeditor Nat Sanders) e Ali se tornou o primeiro muçulmano a ganhar um Oscar de atuação.[3][4]

Método

            Portanto, por uma questão didática e hermenêutica, decidimos compreender o longa-metragem de maneiro que o próprio filme fez, separando as épocas em que o personagem principal vive, após concluiremos com o entrelaçamento da obra com as perspectivas dos Direitos Humanos, intrigando nosso leitor a refletir sobre a existência de tais formas de segregação e inferência do próprio corpo social onde o mesmo é inserido face a busca do autoconhecimento, bem como numa análise mais específico sobre a perspectiva de infância, família e sexualidade.

Enredo

  1. Little

Em prima face, escutamos do filme a seguinte frase “Every nigger is a star”, criada em 2015 por Boris Gardiner, artista negro, que astuciosamente usa tal falácia para inflamar a autoestima da população negra. Todavia, o filme inicia com um menino, negro, correndo de colegas do colégio, num típico meio social onde se predomina a prática de bullying, com o desenrolar do filme, numa tentativa de inserir o espectador ao meio social em que o personagem vive, de maneira intrigante, a própria comunidade se dirige uns aos outros de maneira pejorativa, chamando uns aos outros de “nigger”, num sentimento inconsciente de se tratar uns aos outros como inferiores ou como pessoas taxadas daquilo.

            Ao avançar, o drama nos faz refletir o porquê do personagem ser tão perseguido pelos seus colegas, e o mesmo apresenta um forte bloqueio emocional com as pessoas, não conseguindo fazer amizades como qualquer outra pessoa, não apresentando o mesmo gosto dos outros garotos, numa verdadeira batalha para descobrir-se quem é.

Mais afrente, o vídeo nos mostra outra dificuldade que aquela criança vem sofrendo, qual seja a própria família, formada só por sua mãe, usuária de drogas e prostituta, ver-se que existe um resquício de estereotipagem da mãe solteira sobrecarregada do trabalho que usa drogas com válvula de escape que sempre esconde do menino o motivo pelo qual é perseguido por outros, criando barreiras entre o autoconhecimento de Chiron e a sexualidade, montando uma verdadeira censura desse tema para com a criança. Portanto, o filme mostra como é a vida de um menino gay que vive na periferia da costa sudoeste dos Estados Unidos, explanando as suas descobertas sexuais, relações com gangues na região, drogas e família.

  1. Chiron

Passam-se dez anos, agora deparamos com Chiron adolescente, sofrendo ainda mais as amarguras do bullying, onde o mesmo tenta se esconder de um colega de classe, que sempre o atormenta, para se refugiar o mesmo procura uma amiga, Teresa, onde lá temos que o garoto não sofre tanta imposição, já que em um determinado momento do filme, ainda em sua infância, o autor pergunta para os anfitriões da casa o que é ser “marica” ou “bicha”, onde por surpreendente temos que em vez do hospedeiro, apesar de ser um chefe do tráfico, deixa que o garoto descubra sozinho, e o encoraja a estar pronto quando descobrir, um verdadeiro momento de afeto e sensibilidade. Após, em uma cena, sui generis, o protagonista  encontra-se com um amigo na praia, onde os dois começam a desabafar sobre a vida, porém os mesmos afloram-se uns aos outros, dando lugar um sentido, que até o momento é enterrado pelo meio social, onde seu amigo, Kevin, o masturba, fazendo com que o adolescente Chiron identifique-se com aquela relação. Após, temos um embate sentimentalista onde o mesmo amigo que está na noite anterior deflorando seus sentimentos intrínsecos, é compelido pela sociedade a realizar um trote em seu amigo Chiron, onde se um lado temos o seu sentimento, e o outro temos a grande massa da sociedade que o obriga a reprimir as coisas intituladas como errado ou como inferior.

iii. Black

            Avança-se mais dez anos na vida de Chiron, sendo este um grande chefe do tráfico, com um físico diferente, musculoso, já que por ocupar um cargo alto na hierarquia posta na sociedade em que vive, tem de parecer com uma postura mais séria e forte. Sua mãe encontra-se em uma casa de tratamento onde ela liga constantemente para o filho ir visita-la, quando ele decide ir, Chiron desculpa-se com sua mãe, pois não teve empatia com ela, o que deixo-a naquela situação, após, Paula, sua mãe, também pede perdão por não ter oferecido aquilo que seu filho merecia, durante toda a vida. Todavia, ainda percebemos que o personagem principal reveste-se de um grande bloqueio sentimental, pois enquanto Chiron passeia com um de seus capangas, o mesmo pergunta para este sobre “as garotas” que seu amigo vem “pegando”, seu amigo, movido por uma cultura machista, aponta as casas da mulheres que vem namorando, porém Chiron parece um pouco desconfortável com tal situação. A seguir, o protagonista recebe a ligação do seu velho amigo, Kevin, em tal momento percebemos que Chiron ainda está em sua busca pelo autoconhecimento, pois o contato com Kevin o deixa aflito e pensativo. A seguir, Chiron viaja para Miami, ao encontro de Kevin, lá Kevin fica um surpreso com Chiron, seu estilo, motivações e modo de viver, pois é totalmente diferente da pessoa que conhecerá a anos atrás. Chiron fica um pouco obstinado a comer e beber com seu amigo.

Após o jantar, Kevin convida Chiron para ir ao seu apartamento, lá temos que Kevin se arrepende de ter participado do trote, que tanto prejudicou a vida de Chiron, e que apesar de viver com pouca condição financeira, bem como a sua vida não ocorreu como planejou, é feliz. Chiron, não consegue se conter, e revela a seu amigo, que jamais se relacionou com outra pessoa, desde o dia em que tiveram juntos a beira do mar, em sua adolescência. Após, Chiron relembra da sua infância, olhando para o mar. Por fim, nos parece que Chiron, finalmente desvenda todas as suas angustias e dúvidas, deflorando seus sentimentos e ficando com a pessoa sempre amou.

Análise

Sob uma perspectiva técnica o filme nos mostra uma grande exclusão social, que apesar dos Estados Unidos ser signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos que tem como objetivo garantir uma igualdade maior dentre a população, onde apesar que seus ditames se analisados sob uma perspectiva crítica nos trazem diversas incongruências, falha miseravelmente com aquilo que diz ser subscritor, transparecendo que o Estado institui normas para se legitimar, mas que não saem de um plano abstrato. Com isso, vários regulamentos são feridos de morte como por exemplo em seu artigo sétimo que prega: “Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual proteção da lei. Todos têm direito a proteção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.”[5] Ora, é claro que o filme retrata um realidade totalmente oposta ao que descreve os preceitos do referido tratado, onde a discriminação está intimamente relacionado com o inconsciente da população, algo tão arraigado que transcende a percepção do comportamento que os mesmos tem uns com os outros.

Sob uma perspectiva característica com ênfase aos aspectos de infância, família e sexualidade, percebemos que o filme nos mostra um tipo incomum de família, qual seja a família monoparental, porém há ainda um resquício de taxatividade na obra cinematográfica, pois retrata um pouco, a incapacidade que a mulher tem de enfrentar os desafios impostos, sempre mostrando a necessidade de ter-lhe um homem para apoiá-la. O filme também nos mostra que a família biparentales e adoptivas tendem a ser mais equilibradas e propícias a dar uma maior estabilidade no relacionamento entre estas. Sua relação com a sexualidade é intrínseca, pois o filme desenvolve-se na busca do autoconhecimento pelo protagonista, ao perceber que não gosta das mesmas coisas que seus colegas, e que é perseguido durante toda a vida por causa disso, onde no auge da sua vida adulta o mesmo é forçado a ter uma postura estereotipada máscula, que não deixe transparecer aquilo quer parecer. Tais posturas, que são apresentadas pelo filme, nos deixam intrigados a saber, o por quê as pessoas não se empatizam com o outro? Porque nos parece que o Estado na verdade só quer legitimar-se perante o povo editando apenas “normas” que não saem do papel, e não correspondem com a realidade que a sociedade realmente vive? Porque pensamentos discriminatórios são praticados constantemente, porém não são percebidos, como se fosse sugado toda a sensibilidade do outro?

Por fim, Moonlight nos parece um filme que quebra falências narrativas e estéticas, para tentar mostrar da maneira mais pragmática aquilo que descreve, pois é assim que o filme penetra nos mais íntimos sentimentos do espectador, perfazendo um grande sentimento de empatia pelo personagem principal. Moonlight é acima de tudo um filme que detêm uma grande sensibilidade e afetividade.

Referências:


[1] Crespo, Irene. Crespo, Irene. «’Moonlight’, o filme que pode evitar que ‘La La Land’ leve tudo no Oscar 2017». El País. Consultado em 5 de março de 2019

[2] Keegan, Rebecca. «To give birth to ‘Moonlight,’ writer-director Barry Jenkins dug deep into his past». Los Angeles Times. Consultado em 5 de março de 2019.

[3] France, Lisa Respers. «Oscar mistakes overshadowns historic moment for ‘Moonlight’». CNN. Consultado em 5 de março de 2019.

[4] Rose, Steve. «Don’t let that Oscars blunder overshadow Moonlight’s monumental achievement». The Guardian. Consultado em 5 de março de 2019

[5] http://www.mp.go.gov.br/portalweb/hp/7/docs/declaracao_universal_dos_direitos_do_homem.pdf. Consultado em 5 de março de 2019.

Livro Primeiro mataram meu pai

O livro “Primeiro mataram meu pai” (First They Killed My Father) foi lançado pela editora Harper Collins Brasil em 2000, o livro é uma autobiografia de Loung Ung. A obra inspirou o filme com o mesmo nome, lançado em 2017 e dirigido pela atriz Angelina Jolie. No livro a autora Loung Ung retrata sua dura trajetória para espacar do regime do ditador Pol Pot, implementado no Camboja. No inicio do livro a autora retrata que teve uma vida privilegiada até o inicio de sua infância, era de classe media e filha de um oficial do governo do Camboja, o que facilitava um bom convívio entre ela e seus familiares. Porém, Loung nos mostra que em abril de 1975 tudo mudou, pois foi instaurado o regime do Khmer Vermelho, o qual massacraria milhares de pessoas, matando boa parte da população cambojana.

O Khemer Vermelho é o nome dos seguidores do Partido Comunista da Kampuchea, esse regime foi implantado no Camboja e fundaria o que eles chamavam de “Camboja Democrático”. A principal ideia desse regime era que a sociedade urbana era corrompida e deveria ser substituída por uma mais pura, essa mudança daria origem ao “Novo Povo”, que era originado principalmente da população rural, com o intuito de criar uma sociedade cambojana mais forte e dinâmica. Durante os anos de 1975 e 1979 o Khmer Vermelho  foi o regime do Camboja, liderado por Pol Pot, este regime é lembrado por seus massacres, que resultaram em um genocídio do povo cambojano, pois sias tentativas de reforma agraria levaram varias pessoas à fome enquanto sua insistência na autossuficiência, até mesmo nos serviços médicos, levou à morte de milhares de pessoas em consequência de doenças tratáveis, com mortes atingindo cerca de 20% da população da época.

 Tal programa incluía a evacuação total das cidades, formação de fazendas coletivas, onde era imposto o trabalho forçado. Todos ali morriam extenuados pelas duras condições e alimentação quase inexistente. Religiosos, intelectuais, professores, qualquer pessoa que dominasse uma arte ou conhecimento era sumariamente executada. Os adultos eram considerados “envenenados pelo capitalismo”, assim, a prioridade do regime eram as crianças, que eram doutrinadas nos princípios comunistas, e recebiam papéis de liderança em torturas e execuções. Livros eram queimados, escolas, hospitais, fábricas, bancos e até a moeda foram extintos. Todos os de origem não cambojana eram perseguidos e executados. Um dos lemas do Khmer Vermelho, e que marcaria a sua passagem pelo poder, era: “Não existe beneficio em mantê-lo vivo. Não existe prejuízo em destruí-lo”.

No decorrer do livro, Loung fala que quando o exercito invadiu a cidade ela e sua família passaram a correr sérios riscos de vida, visto que, seu pai era agente do governo e um dos principais alvos do regime era eliminar todos que fossem vinculados ao antigo governo. A autora revela também que por um tempo eles conseguiram disfarçar a ex-profissão do pai, fingiam que eram camponeses e, por um tempo conseguiram viver unidos, mesmo sendo obrigados a fazerem trabalhos forçados em fazendas do Khmer Vermelho, porém, depois de um tempo a profissão real do seu pai foi descoberta.  Diante disso, como o próprio titulo do livro diz, o pai de Loung Ung foi assassinado, mas a família só tomou conhecimento disso anos depois, pois inicialmente disseram para eles que o pai de Loung ia apenas trabalhar por um tempo em outra fazenda. No livro Loung relata que viu sua mãe ficar sentada, triste, com esperança de um retorno do marido, enquanto negava a possibilidade de sua morte. Diante de tantas atrocidades que estavam ocorrendo com a família, a mãe de Loung, em uma tentativa desesperada de salvar a vida dos seus filhos, mandou Loung e dois de seus irmãos (eram sete ao total) saírem em busca de um campo de órfãos, sem revelar sua real filiação, explicando aos pequenos que está seria a única chance de sobrevivência.

Diante de todos esses acontecimentos narrados, Loung precisou fugir e acabou em um campo de formação de crianças-soldados, lá ela foi treinada para se tornar um dos membros do exercito comunista. A autora relata que seus irmãos não ficaram no mesmo local que ela, acabaram indo para um campo de trabalhos forçados, onde viviam em situações precárias de moradia, alimentação e maus tratos. Porém, apesar de todo sofrimento enfrentado por Loung e sua família eles não desistiram de ter uma vida mais digna e feliz, e foi em busca desses sentimentos que Loung aos dez anos conseguiu fugir com seus irmãos para a Tailandia, posteriormente a isso foram morar nos Estados Unidos. Em vários momentos no livro Loung retrata a forma cruel de tratamento que eles recebiam, mostrando que a vida em que levavam não era digna de um ser humano, um desses relatos foi este.  

“Apesar de pol pot dizer que somos todos iguais no Camboja democrático, nós não o somos. Nós vivemos e somos tratados como escravos, no nosso jardim, o angkar fornece-nos sementes e nós podemos plantar qualquer coisa que escolhemos, mas toda e qualquer coisa que cresce não nos pertence, pertence à comunidade. As pessoas da base comem os frutos e os vegetais dos jardins comunitários, mas as novas pessoas são punidas se fizerem o mesmo, durante a estação mais dura as colheitas dos campos são entregues ao chefe da vila, então ele raciona a comida entre as cinquenta famílias. Como sempre, não importa quão abundante tenham sido as colheitas, nunca há comida suficiente para o pessoal novo. Roubar comida é visto como um crime hediondo, se pego, os infratores arriscam terem os seus dedos cortados em púbico ou então serem forçados a cultivar vegetais numa área perto de identificados campos minados. Os soldados do Khmer Vermelho plantaram essas minas terrestres para proteger as províncias que eles tomaram do exército de Lon Nol, durante a revolução. O Khmer Vermelho plantou uma infinidade de minas terrestres e não desenhou nenhum mapa com a localização das mesmas. Por isso, agora muitas pessoas são feridas ou mortas atravessando essas área, as pessoas que trabalham nessas áreas não voltam para a vila, se uma pessoa pisa numa mina terrestre e perde um braço ou uma perna, ela passa a ser de nenhum valor para o Angkar. os soldados daí atiram nela para terminar o trabalho. na nova sociedade agrária pura não há lugar para pessoas com deficiência”.

Essa breve análise do livro nos faz perceber que está história é, sobretudo, uma historia de sobrevivência e superação, pois poucas famílias da década de 70 puderam sobreviver no regime implantado no Camboja. A autora declara isso em um dos momentos do livro, “Esta é uma história de sobrevivência: a minha e a de minha família. Embora estes acontecimentos façam parte da minha experiência de vida, minha história está refletida na vida de milhões de cambojanos”. Depois das diversas atrocidades que testemunhou, Loung se tornou escritora e ativista, fazendo campanhas com a ONG Campaign for a Landmine-Free World, que protesta contra o uso de minas terrestres no mundo.  

Diante do exposto, podemos analisar o livro sobre uma perspectiva da luz dos direitos humanos, visando destacar quais direitos foram negligenciados pelo governo em questão. Diante disso, analisando o contexto histórico do qual o acontecimento narrado por Loung faz parte, percebemos que durante os anos de 1975 até o ano de 1979, vários direitos fundamentais foram retirados dos cambojanos, visto que, o regime politico da época não primava em ter uma sociedade digna e igualitária, mas sim, em ter uma sociedade cujos valores e preceitos fossem aquilo que o regime queira, não se preocupando com o bem estar da sociedade, mas sim em atingir os seus ideais políticos. Com a análise do livro, percebemos que o regime Khmer Vermelho foi um dos vários massacres mundiais, porém, percebemos a pouca importância que o ensino historiográfico dá para ele, visto que, muitas pessoas da atualidade não sabem nem da existência desse regime, o que nos faz perceber um preconceito sobre a raça cambojana, tratando ela como inferior e, não dando o respeito e a devida importância para todos os sofrimentos e mortes ocorridos durante esse período. Portanto, percebemos que os direitos humanos não foram respeitados durante a época em questão, visto que, ocorreram diversas mortes cruéis devido a um governo ditador, que não primava pela igualdade. Percebemos então que, uma das principais mensagens que o livro nos traz é de que devemos dar maior importância para os regimes autoritários, pois esses regimes massacram sociedades, fazendo com que as pessoas não tenham um mínimo de dignidade humana, esse acontecimento nos faz refletir também sobre o quão é importante continuarmos na luta para um mundo mais igualitário e com uma igualdade de direitos, buscando assim uma vida digna para todos, principalmente os grupos minoritários, que muitas vezes são massacrados por imposições sociais os governamentais.    

Referências:

UNG. LOUNG. Primeiro mataram meu pai. Hasper Collins. 2000

BULLYING NA JUVENTUDE E A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA

A violência é tão antiga quanto a humanidade, sempre estando presente em todos âmbitos sociais: família, escola, trabalho, entre outros. Porém, isso não significa que por isso deve ser naturalizado ou negligenciado. A primeira referência sobre o direito da proteção da criança foi a Declaração de Genebra de 1924, seguida pela Declaração dos direitos da criança da ONU em 1959. Entretanto, por serem documentos apenas declaratórios, sem nenhuma obrigação jurídica, não ganharam tanta dimensão na sociedade da época.

O Bullying é uma forma de violência geralmente praticada por crianças e adolescentes nas escolas e afins, podendo ser em grupo ou individual e presencial ou por redes sociais – conhecido como cyberbullying. Por frequentemente estar disfarçado de brincadeiras, esses comportamentos hostis muitas vezes não são enxergados por quem não participa, dificultando a identificação da família ou responsáveis para uma tentativa de solucionar o problema. É relevante ressaltar que o bullying não é uma investida isolada, discussão ou ofensa pontual, ele é caracterizado por uma prática constante quando a vítima é levada à exaustão, ou até distúrbios psicológicos e doenças mais sérias.

Segundo a Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, o bullying no ambiente escolar está diretamente ligado a má relação familiar, tanto do agressor como da vítima. O contato constante e saudável entre pais e filhos é essencial para a prevenção desses acontecimentos. Estudos comprovam que pais que castigam severamente seus filhos, principalmente com punições físicas regulares, corroboram para que o bullying ocorra, seja ele como forma de vingança e extravaso do agressor ou dificuldade da vítima em agir, reagir e externar os acontecimentos para buscar a ajuda necessária. A pesquisa feita com mais de 2.300 estudantes de 10 a 19 anos, além do exposto acima, relatou que regras familiares são essenciais, assim como a importância dos pais tomarem ciência de por onde e com quem seus filhos andam.

Devido ao crescimento do número de vítimas e da dimensão dos danos causados às mesmas, torne-se cada vez mais obrigatório e necessário o combate a esse tipo de violação de direitos, já que ele vem ferindo os sistemas jurídicos que pregam pela igualdade e dignidade da pessoa humana, tendo em vista que a universalização do bullying é um desrespeito às garantias legais do ordenamento jurídico prático. Recentemente, em 2015, foi aprovada a lei número 13.185 de validade em todo território nacional, cabendo ao Estado a proteção institucional da criança e do adolescente, por meio de órgãos oficiais, zelar pelos menores como pessoa em desenvolvimento contra qualquer negligência, humilhação, discriminação, violência etc. O bullying é uma das maiores ofensas aos Direitos Humanos, além de afrontar sua Declaração Universal, também desonra a Constituição Federal de 1988 e do Estatuto da Criança e Do Adolescente (ECA).

Referências:

REVISTA BRASILEIRA DE DIREITO E GESTÃO PÚBLICA. O bullying como meio de violação aos direitos humanos. Disponível em:<https://www.gvaa.com.br/revista/index.php/RDGP/article/view/2275> Acesso em: 01 de Maio de 2019.

GERONASSO, Jociane Emídia Silva. Bullying: uma violação aos direitos humanos. Disponível em: http://educere.bruc.com.br/CD2013/pdf/7230_6224.pdf> Acesso em: 01 de Maio de 2019.

(Rodrigo Belmont)